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SP: contra homofobia, Parada Gay tem valsa para o Guinness

26 jun 2011
14h20
atualizado em 27/6/2011 às 18h42

Com o lema Amai-vos Uns aos Outros: Basta de Homofobia, a 15ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) começou ao meio-dia deste domingo na avenida Paulista, em São Paulo. Para comemorar os 15 anos do evento, os organizadores propuseram que o público dançasse uma grande valsa para entrar para o Guinness Book (Livro dos Recordes) como o maior espetáculo de valsa ao ar livre.

A Parada Gay deste ano pretende discutir, entre o agito dos trios elétricos, o posicionamento de grupos religiosos que são contrários à aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122, que criminaliza a homofobia.

"Não é um carnaval fora de época, é uma festa da cidadania", disse Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Segundo ele, a expectativa é que o projeto de lei seja aprovado, apesar do grande protesto feito pelos grupos religiosos no Congresso Nacional. "Estamos vendo que tem um pequeno setor, fundamentalista, que vamos ter que ir para o voto. Mas a grande maioria é favorável", disse. Reis lembrou que existem atualmente 75 países que criminalizam a homossexualidade e sete em que são aplicadas pena de morte para homossexuais.

Toni Reis foi um dos primeiros homossexuais que legalizaram sua relação homoafetiva após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. "Peço um parabéns ao Supremo Tribunal Federal e que todas as energias positivas do STF cheguem ao Congresso Nacional, porque queremos que aprovem a criminalização da homofobia. Não podemos admitir que existam pessoas que incitem a violência, que discriminem ou espanquem homossexuais", afirmou.

Ideraldo Beltrame, presidente da Associação da Parada GLBT (APOGLBT), destacou o evento como uma maneira de alertar a sociedade sobre as dificuldades enfrentadas pelo público gay. "Ao completar 15 anos de parada, que esse début, esse grito de passagem e essa transformação sejam para a gente pensar que a maior demanda do movimento, além da criminalização da homofobia, é garantir os direitos das nossas companheiras travestis e transexuais, que são a parte mais frágil do movimento", disse.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que a parada está cada vez mais organizada. "É uma demonstração de cidadania de todos os brasileiros que aqui vivem e que querem uma cidade, um País e um mundo cada vez mais voltado para ações de cidadania, mostrando que a grande maioria dos brasileiros respeita a diversidade e os direitos humanos".

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que o evento vai contar com um efetivo policial formado por 1,5 mil homens e que a segurança estará garantida, apesar do jogo, esta tarde entre Corinthians e São Paulo, no Estádio do Pacaembu, próximo ao local estará ocorrendo a parada. "Difícil proibir o jogo ou a Parada. Não há como proibir isso. É direito das pessoas. E a polícia tem a experiência nesse trabalho", disse.

Alckmin destacou ainda que o evento traz vários benefícios econômicos para São Paulo, já que entram "mais de R$ 200 milhões na economia da cidade". Ele também ressaltou a movimentação de turistas, inclusive de outros países, e a importância da parada para a cidadania, "no sentido de se estabelecer direitos, de se evitar intolerância, de se avançar no arcabouço jurídico".

Com um vestido rosa, cheio de brilho, e definindo-se como uma debutante drag queen, a cantora Preta Gil, diva da parada deste ano, falou que também está na luta pela defesa da lei. "Queremos comemorar o que conseguimos até hoje e continuar a batalha pela aprovação da lei, pela criminalização da homofobia. Esta é a minha luta", afirmou.

Agência Brasil

Colaboraram com esta notícia os internautas Cris Faga, Marilene Lopes, Henrique Yasuda, Sérgio de Paula e Cleide Isabel, de São Paulo (SP), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Anjo do arco-íris, Morgana Loren, de São José dos Campos, participa da Parada Gay
Anjo do arco-íris, Morgana Loren, de São José dos Campos, participa da Parada Gay
Foto: Eladio Machado / Terra
vc repórter
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