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SP: concessionária do metrô entra com ação para impedir manifestações

O interdito proibitório, que impede até panfletagem, foi protocolado contra ONG responsável pelo domínio do endereço eletrônico do Movimento Passe Livre (MPL)

13 jun 2013
17h30
atualizado às 17h31
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A concessionária responsável pela Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, a ViaQuatro, entrou com uma ação na Justiça para tentar impedir manifestações contra o aumento da tarifa do transporte público perto das estações da linha. O interdito proibitório, que envolve ainda a suspensão de "panfletagem, discursos e shows ou piquetes nas proximidades das estações", foi protocolado contra a Associação Cultural Alquimídia, ONG de Florianópolis (SC), responsável pelo domínio do endereço eletrônico do Movimento Passe Livre (MPL), que organiza os protestos na capital paulista.

O domínio do Movimento Passe Livre está registrado em nome de Thiago Skárnio, conforme o registro.br
O domínio do Movimento Passe Livre está registrado em nome de Thiago Skárnio, conforme o registro.br
Foto: Reprodução

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Em decisão na segunda-feira, a juíza Monica Lima Pereira, da 2ª Vara Cível do Fórum Regional do Butantã, negou o recurso da ViaQuatro. Segundo ela, a documentação apresentada pela concessionária "não revela qualquer relação da Associação Cultural Alquimídia com os graves transtornos decorrentes das manifestações ocorridas em 6 de junho, nas quais houve a interdição de ruas, depredação de patrimônio público e, inclusive, de algumas estações de metrô". "Tampouco se demonstrou que os manifestantes tenham qualquer vinculação com a requerida Associação Cultural Alquimídia", afirma a magistrada.

A ONG Alquimídia foi fundada em 2002 e, há oito anos, registrou o site do MPL. "Fizemos o registro para eles anos atrás e pronto", disse Thiago Skárnio, que dirige a ONG. Segundo ele, já foram enviados e-mails aos responsáveis técnicos do site para pedir o cancelamento ou a transferência do registro. "Não somos 'vinculados' ao MPL. Essa atitude do metrô foi descabida, sem sentido", afirmou Thiago.

Protesto dura cerca de seis horas
Na terça-feira, após seis horas de protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô na capital paulista, foram registrados pelo menos 20 prisões de manifestantes e três casos de policiais militares feridos por pedras.

A manifestação iniciou de maneira pacífica, mas os primeiros tumultos começaram logo no início da passeata, na rua da Consolação, onde um jovem ciclista foi detido ao trafegar na única faixa liberada na via. A partir daí, o clima continuou tenso, com novos episódios de confronto entre manifestantes e policiais militares.

A situação se agravou, porém, em frente ao terminal de ônibus Parque Dom Pedro. Após cerca de 20 minutos concentrados em frente à parada, um grupo de jovens tentou levar a passeata ao local, entregando flores aos policiais, mas foi impedida pela PM, que disparou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha.

A PM não soube informar quantos manifestantes ficaram feridos, mas o Terra presenciou vários jovens sendo atingidos por cassetetes e balas de borracha disparados pelos policiais. Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos após serem atropelados por um motorista, que dirigia um Fiat Uno, que se irritou com a manifestação e atirou o carro contra os jovens - um homem e uma mulher, que não se feriram com gravidade.

Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação era "parar o País para serem escutados em Paris", em referência à cidade para onde o prefeito, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), foram para defender a candidatura da cidade para ser sede da Expo2020. No início do protesto, muitos passageiros de ônibus demonstraram apoio à passeata, aplaudindo a manifestação. Entretanto, a pichação dos veículos - muitos ônibus - e de prédios públicos foi reprovada por muitas pessoas que assistiam ao protesto.

Confrontos
O protesto foi marcado por confrontos entre os manifestantes e policiais militares. Um grupo usou lixeiras e pedras para destruir vidraças de agências bancárias. Na rua Silveira Martins, o diretório do PT também foi apedrejado. A Tropa de Choque da PM usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes, após o confronto no terminal de ônibus do parque Dom Pedro. Com isso, grande parte dos participantes do ato subiu para a avenida Paulista.

A manifestação teve início, no fim da tarde, com uma concentração no fim da Paulista. Depois saiu em passeata pela rua da Consolação. Em seguida, os participantes bloquearam completamente a Radial Leste, pegaram a avenida Liberdade, passando pela praça da Sé. Na avenida Rangel Pestana, um pequeno grupo apedrejou e queimou um ônibus elétrico que estava estacionado. No parque Dom Pedro, eles foram impedidos pela polícia de entrar no terminal de ônibus.

Fonte: Terra

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