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SP: ato contra Copa tem prisão de jornalistas; fotógrafo do Terra é ferido

22 fev 2014
18h43
atualizado em 24/2/2014 às 19h59
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Manifestantes e policiais militares entraram em confronto no início da noite deste sábado durante protesto que começou na Praça da República, no centro de São Paulo, contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. A manifestação - acompanhada desde o início por um contingente de 2.300 policiais, dentre os quais, cerca de 150 homens da "Tropa do Braço", com treinamento em artes marciais - terminou com saldo de pelo menos oito feridos, dentre os quais cinco policiais, dois manifestantes e o fotógrafo do Terra Bruno Santos. 

O Terra flagrou pessoas sendo detidas - parte delas por policiais da chamada Tropa do Braço
O Terra flagrou pessoas sendo detidas - parte delas por policiais da chamada Tropa do Braço
Foto: Bruno Santos / Terra

Ao todo, 262 pessoas das 1.500 que participaram do ato foram detidas e encaminhadas a distritos policiais da região central e dos Jardins --o maior número desde os protestos de junho do ano passado. Todas foram liberadas. Ao menos duas agências bancárias do Itaú, patrocinador oficial da Copa, foram depredadas no centro.

Em meio ao tumulto, os repórteres Sérgio Roxo (O Globo), Reynaldo Turollo Junior (Folha de S. Paulo) e Paulo Piza (G1) foram detidos suspeitos de integrar o Black Bloc, assim como dois fotógrafos freelancers. A confusão teve início quando PMs cercaram em blocos jovens mascarados, em roupas pretas, ao que foram revidados com lixeiras e cones de sinalização. 

No tumulto, o fotógrafo do Terra teve o equipamento destruído por golpes de cassetete desferidos por policiais. Os golpes acertaram também suas costas. Santos caiu, torceu o pé e precisou ser encaminhado a um hospital. Dos cinco PMs feridos, duas mulheres tiveram o braço quebrado. Outros dois feridos eram manifestantes.

O ato teve início às 17h na Praça da República com palavras de ordem contra a realização do Mundial no Brasil --o jogo de abertura é em São Paulo, dia 12 de junho. De lá, perto das 18h, o grupo seguiu pela avenida Rio Branco e pela rua da Consolação.

Por volta das 19h, na rua Coronel Xavier de Toledo, tiveram início confronto e as primeiras prisões. A PM ainda reagiu com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Tiros de bala de borracha também foram efetuados.

22 de fevereiro - Policiais militares cercam e isolam manifestantes detidos durante o protesto em São Paulo
22 de fevereiro - Policiais militares cercam e isolam manifestantes detidos durante o protesto em São Paulo
Foto: Gabriela Biló / Futura Press

A ação da PM surtiu efeito e o protesto se dispersou, mas pequenos grupos de manifestantes passaram a cometer atos de vandalismo em ruas do centro da capital paulista. Estabelecimentos tiveram suas fachadas danificadas. Uma das agências do banco Itaú destruída fica na rua Sete de Abril; a outra, a cerca de 100 metros dali, fica na rua Marconi.

Em meio à ação, policiais militares cercaram e prenderam dezenas de manifestantes na rua Coronel Xavier de Toledo. No local, dezenas de agentes de segurança formaram um cordão de isolamento e ameaçaram jornalistas que se aproximaram.

A reportagem questionou a PM sobre a detenção dos profissionais da imprensa e foi informada de que os jornalistas detidos teriam adotado "práticas de manifestação típicas dos black blocs". "Temos imagens dos black blocs agindo. Quem não for (black bloc), será liberado na delegacia", disse um soldado.

Protesto teve acompanhamento de tropa especial 
Cerca de 1 mil policiais acompanhavam a manifestação. Além deles, havia PMs à paisana infiltrados entre os manifestantes. Estes policiais integram a chamada "Tropa do Braço" - um grupo especial de agentes treinados em artes marciais para lidar especificamente com situações de protestos.

<p>Cerca de mil policiais foram deslocados para acompanhar novo protesto contra a Copa do Mundo</p>
Cerca de mil policiais foram deslocados para acompanhar novo protesto contra a Copa do Mundo
Foto: Bruno Santos / Terra

O anúncio da tropa especial foi feito nessa sexta-feira. De acordo com o porta-voz da PM, capitão Emerson Massera, o esquema de policiamento reforçado, pelo qual até PMs foram convocados de suas folgas, valerá "para que as pessoas tenham a liberdade de se manifestar" e, no caso dos PMs treinados em artes marciais, "para que só se aja de maneira mais agressiva conforme aumente a necessidade".

Fonte: Terra
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