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SP: aposentada que morreu durante protesto vai ser enterrada nesta sexta

16 ago 2013
08h04
atualizado às 08h04
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O corpo da aposentada de 66 anos que morreu durante o protesto na noite de quarta-feira na região central de São Paulo vai ser enterrado nesta sexta-feira. Leoni Maria da Sena Fonseca estava a caminho do ensaio do coral da Igreja Batista da Liberdade, que fica a poucas quadras da Câmara Municipal, onde manifestantes entraram em confronto com a polícia. O grupo quebrou tapumes e lixeiras e a Polícia Militar revidou com bombas de gás lacrimogênio. Para fugir da confusão a aposentada, que tinha pressão alta, entrou em um bar na rua da igreja. Em seguida, procurou abrigo em um mercado. Imagens das câmeras de segurança mostram que ela entrou no estabelecimento passando mal. As informações são do Bom Dia SP.

Lixo foi espalhado pela rua e queimado nas ruas próximas à Câmara Municipal de São Paulo
Lixo foi espalhado pela rua e queimado nas ruas próximas à Câmara Municipal de São Paulo
Foto: Bruno Santos / Terra

"O que eu sei é que existia gás, existia fogo, existia tumulto, existia gente fazendo uma série de barulhos e arruaças e isso conbrtibui para esse desgaste", disse o filho da aposentada, Flávio Sena Fonseca. Leoni foi socorrida por pessoas que estavam no mercado e, depois de esperar 30 minutos pela ambulância, que não apareceu, guardas metropolitanos levaram a idosa para o hospital, onde morreu com problemas cardiorespiratórios. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que exames feitos no corpo da aposentada vão revelar a causa da morte. O resultado só deve sair em 30 dias. A polícia vai interrogar hoje à tarde as pessoas que prestaram socorro à mulher.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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