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02 de março de 2012 • 14h05 • atualizado em 03 de Março de 2012 às 11h27

SP: após nova morte, ciclistas pedem fim da 'guerra' no trânsito

Cartaz de ciclistas pede "mais amor" no trânsito
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
 
Marina Novaes
Direto de São Paulo

Centenas de ciclistas participaram, na noite desta sexta-feira, de um protesto contra a violência no trânsito e a "imprudência" dos motoristas na avenida Paulista, em São Paulo. A manifestação ocorre após a bióloga Juliana Ingrid Dias, 33 anos, morrer atropelada por um ônibus quando andava de bicicleta na mesma avenida, na manhã de hoje.

Policiais militares em motocicletas acompanham os manifestantes, munidos de flores e velas, além de adesivos com a inscrição "Não espere perder um amigo pra mudar sua atitude no trânsito" e flyers alertando que "Hoje mais um ciclista morreu em SP. Motorista, respeite os ciclistas e ajude a humanizar o trânsito".

Juliana, que trabalhava no Hospital Sírio-Libanês, fazia parte do grupo Pedal Verde, movimento que alia a causa ambiental ao ciclismo. Os amigos da vítima e integrantes do grupo plantaram duas árvores cerejeiras em homenagem à bióloga em um gramado localizado na praça do Ciclista, que fica na própria avenida.

"Ela era uma pessoa maravilhosa, apaixonada pela vida, as árvores representam a vida, é uma homenagem a ela", disse Gilberto Hiroshi, 42 anos, amigo de Juliana e integrante do Pedal Verde.

Apesar da tragédia, os amigos da vítima defendem que os ciclistas não deixem de pedalar. "Quanto mais ciclista nas ruas, mais segurança a gente vai ter para pedalar. Nós não podemos desistir. O que precisamos é de mais amor no trânsito, mais respeito. Tem espaço para todo mundo nas ruas", afirmou Flávia Pires, 35 anos, amiga de Juliana e integrante do grupo.

Entretanto, os ciclistas pedem menos "agressividade", já que muitos dos manifestantes relatam terem sofrido algum tipo de violência no trânsito e defendem que os motoristas de ônibus passem por treinamentos para evitar esse tipo de tragédia.

"Os motoristas, principalmente os de ônibus, dirigem com muita agressividade. A (avenida) Paulista, então, é terra de ninguém. Isso precisa acabar", disse Bruno Gola, 24 anos. "Não é só fazer mais ciclovias. Tem que ter mais ciclovias, mas (a solução) é a sociedade aprender a compartilhar a pista", disse Felipe Aragonez, diretor do Instituto CicloBR.

O protesto foi marcado pelas redes sociais e acontece na praça do Ciclista, palco de diversas outras manifestações do tipo. Uma delas, que gerou grande repercussão, ocorreu em 2009, quando a cicloativista Márcia Regina de Andrade Prado, 40 anos, morreu após ser atingida por um ônibus, também na avenida Paulista. Na ocasião, os manifestantes instalaram uma bicicleta branca, apelidada de "ghost bike", para chamar a atenção para o número de atropelamentos. Hoje, uma nova "ghost bike" será instalada no local onde Juliana morreu, na esquina com a rua Pamplona.

Em junho do ano passado, outra bicicleta "fantasma" foi colocada na zona oeste da capital paulista, em protesto pela morte do empresário Antonio Bertolucci, 68 anos, presidente do Conselho de Administração do Grupo Lorenzetti, que morreu após ser atropelado por um ônibus de turismo, enquanto pedalava.

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes lamentou a morte da bióloga, que trabalhava no Hospital Sírio-Libanês, e disse que tem investido em "programas para tornar o trânsito mais seguro para bicicletas nas vias da capital". De acordo com o órgão, estão em andamento projetos para a implantação de mais 55 km de novas ciclovias na cidade.

Manhã de protestos
Ciclistas protestaram mais cedo cobrando "respeito e segurança" nas ruas de São Paulo após a morte na Paulista. O grupo, identificado com o Massa Crítica, se dirigu ao local do atropelamento com bicicletas. "A reunião foi para cobrar respeito e mostrar que a situação está começando a ficar inviável devido à falta de respeito de motoristas de ônibus e taxistas", afirmou Luiza Dias Lamas, uma das integrantes do Massa Crítica. Os bombeiros chegaram a enviar viaturas de resgate ao local do acidente, mas foi constatada a morte antes do socorro.

"As pessoas que estavam lá comentaram que o motorista furou o sinal e atropelou a garota", disse o ciclista Guilherme Silva. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o acidente ocorreu no lado direito da avenida Paulista, onde existe uma faixa preferencial para ônibus. Na semana que vem, o Massa Crítica fará a 1ª Bicicletada Extraordinária Nacional para protestar contra a violência no trânsito.

Terra

Colaborou com esta notícia o internauta mgambrosio, de São Paulo (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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