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SP: amigos fazem vaquinha e pagam fiança de jovem preso em protesto

Bruno Lourenço foi detido na terça-feira e será liberado porque os amigos reuniram o valor de dois salários mínimos

14 jun 2013
15h58
atualizado às 16h08
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Preso pelas acusações de dano ao patrimônio, formação de quadrilha e incêndio, o autônomo Bruno Lourenço, 19 anos, será libertado do 2º DP (Bom Retiro) na tarde desta sexta-feira porque seus amigos fizeram uma vaquinha e arrecadaram o equivalente a dois salários mínimos (cerca de R$ 1.340), o valor da fiança estipulada pela Justiça. Por meio das redes sociais e do boca a boca, eles pretendem manter a mobilização para pagar as despesas com o advogado de Lourenço, que foi preso no terceiro dia de protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, ocorrido na terça-feira.

<p>O jovem foi recolhido durante as manifestações e encaminhado para o 2º DP (Bom Retiro)</p>
O jovem foi recolhido durante as manifestações e encaminhado para o 2º DP (Bom Retiro)
Foto: Fernando Borges / Terra

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"Ele estava no lugar errado, na hora errada, e foi acusado por coisas não sustentáveis, um completo absurdo. Nos organizamos desde que isso ocorreu, avisamos seus familiares e atingimos a meta. Agora, vamos seguir com a vaquinha para pagar o advogado", disse o estudante de Administração João Pedro Alves, 19 anos, amigo de Lourenço. De acordo com ele, a arrecadação pode beneficiar também outros manifestantes detidos.

"Se, finalmente, depois dessa história toda tivermos dado uma sorte imensa e sobrar dinheiro, vamos ajudar outra pessoa que está na mesma situação. Ressaltamos que nenhum de nós faz parte do Movimento Passe Livre (MPL) ", afirmou Alves. O dinheiro foi depositado em uma conta corrente, divulgada no Facebook e por contatos pessoais.

Vaquinha online
O MPL criou na quarta-feira uma campanha no site conhecido como "Vakinha" para arrecadar dinheiro para o pagamento das fianças de manifestantes presos pela polícia. "O governo de São Paulo acha que vai parar as manifestações com a repressão policial e cobrando fianças de R$ 20. Vamos mostrar que nossa solidariedade é maior que todas as celas! Liberdade aos presos políticos do Haddad e tarifa zero já", diz a mensagem.

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"Criamos a vaquinha porque tem gente presa e não tem dinheiro para conseguir pagar a fiança e ser solta. Todo mundo está preso por motivo criminalização dos movimentos sociais, porque se considera criminoso o ato de protestar", explicou Caio Martins, um dos integrantes do MPL. Na semana passada, o grupo já havia se reunido para conseguir dinheiro para pagar a fiança de quem foi preso durante a segunda manifestação no dia 6 de junho. Na ocasião, 15 pessoas foram detidas.

Os manifestantes estão recolhidos em um Centro de Detenção Provisória (CDP), depois de ter ficado no 78º Distrito Policial (Jardins) e 2º DP (Bom Retiro).

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em verdadeiros cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

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Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho , vários jornalistas que cobriam o protesto foram detidos, ameaçados ou agredidos.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.

Terra

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