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SP: adolescente que passava por protesto morre atropelado no Guarujá

28 jun 2013
09h40
atualizado às 10h01
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Um jovem de 16 anos que morreu na noite de quinta-feira após ser atropelado por um caminhão durante uma manifestação no Guarujá (SP), no litoral do Estado, é a sexta vítima fatal dos protestos que ocorrem no Brasil, informaram fontes oficiais. A vítima foi identificada como Igor Oliveira da Silva e morreu por conta dos ferimentos que sofreu ao ser atropelado por um caminhão que tentou desviar quando alguns manifestantes bloqueavam uma estrada que conduz ao porto de Santos.

Protestos por mudanças sociais levam milhares às ruas
Manifestações tomam as ruas do País; veja fotos

Segundo testemunhas citadas pela imprensa local, o jovem circulava em uma biclicleta e não participava da manifestação, que, como as que acontecem no País desde o último dia 10, exigia melhores serviços públicos e protestava contra a corrupção, entre outras muitas demandas. Até agora, seis pessoas morreram por conta das manifestações ocorridas nos últimos dias.

Na quarta-feira passada, um estudante de 21 anos morreu devido aos graves ferimentos que sofreu ao cair de um viaduto durante um protesto na cidade de Belo Horizonte. Dois dias antes, duas mulheres morreram atropeladas por um motorista que lançou seu veículo contra um bloqueio montado por manifestantes em uma estrada no Estado de Goiás.

Na semana passada, em um fato similar, um jovem morreu atropelado em Ribeirão Preto (SP), e uma varredora pública morreu em decorrência de uma parada cardíaca na cidade de Belém, após ter inalado gás lacrimogêneo disparado por policiais que reprimiam um protesto.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

EFE   

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