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24 de fevereiro de 2014 • 21h49 • atualizado às 21h56

SP: 14 jornalistas foram agredidos ou detidos em protesto, diz Abraji

Segundo a associação, pelo menos cinco profissionais sofreram violações apesar de estarem identificados como profissionais da imprensa
Foto: Bruno Santos / Terra
 

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou nesta segunda-feira, em nota, que 14 jornalistas que faziam a cobertura do protesto realizado no último sábado (22), em São Paulo, foram agredidos ou detidos pela Polícia Militar. Segundo a associação, pelo menos cinco profissionais sofreram violações apesar de estarem identificados como profissionais da imprensa.

De acordo com a Abraji, os jornalistas Sérgio Roxo (O Globo), Reynaldo Turollo (Folha de S.Paulo), Paulo Toledo Piza (G1), Bárbara Ferreira Santos (O Estado de S.Paulo), Fábio Leite (O Estado de S.Paulo), Victor Moriyama (freelancer) e Felipe Larozza (Vice) foram detidos temporariamente, por períodos que variaram de alguns minutos a cerca de três horas. Roxo, Bárbara e Moriyama também sofreram agressões. O fotógrafo Bruno Santos, do Terra, sofreu uma torção no tornozelo e foi atingido por golpes de cassetete enquanto tentava escapar de uma confusão em meio ao protesto.

Evelson de Freitas (O Estado de S.Paulo), Amanda Previdelli (Brasil Post), Mauro Donato (Diário do Centro do Mundo), Tarek Mahammed (Rede de Fotógrafos Ativistas), Alexandre Capozzoli (Grupo de Apoio Popular) e Alice Martins (Vice) foram agredidos com cassetetes, golpes de escudo ou chutes.

Segundo balanço da associação, com os novos casos, chegam a 57 as agressões e detenções de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas cometidos por policiais militares desde junho de 2013 em São Paulo. Dessas ocorrências, 56% foram deliberadas, ou seja, o jornalista identificou-se como tal e mesmo assim foi agredido ou detido.
 
O balanço aponta que São Paulo é a cidade mais violenta para repórteres em cobertura de manifestações: dos 133 casos de agressões registrados de 13 de junho de 2013 a 22 de fevereiro de 2014, 63 ocorreram na capital paulista. Um total de 59 profissionais sofreu algum tipo de violação. 

“A Abraji lamenta, mais uma vez, que jornalistas sejam detidos e agredidos enquanto realizam seu trabalho durante a cobertura de manifestações de protesto. Tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, à democracia”, disse a associação em nota. 

Protesto teve confronto entre PMs e manifestantes
Manifestantes e policiais militares entraram em confronto no início da noite dosábado durante protesto que começou na praça da República, no centro de São Paulo, contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. A manifestação - acompanhada desde o início por um contingente de 2.300 policiais, dentre os quais, cerca de 150 homens da "Tropa do Braço", com treinamento em artes marciais - terminou com saldo de pelo menos oito feridos, dentre os quais cinco policiais, dois manifestantes e o fotógrafo do Terra Bruno Santos. 

Ao todo, 262 pessoas das 1.500 que participaram do ato foram detidas e encaminhadas a distritos policiais da região central e dos Jardins --o maior número desde os protestos de junho do ano passado. Todas foram liberadas. Ao menos duas agências bancárias do Itaú, patrocinador oficial da Copa, foram depredadas no centro.

No tumulto, o fotógrafo do Terra teve o equipamento destruído por golpes de cassetete desferidos por policiais. Os golpes acertaram também suas costas. Santos caiu, torceu o pé e precisou ser encaminhado a um hospital. Dos cinco PMs feridos, duas mulheres tiveram o braço quebrado. Outros dois feridos eram manifestantes.

O ato teve início às 17h na Praça da República com palavras de ordem contra a realização do Mundial no Brasil --o jogo de abertura é em São Paulo, dia 12 de junho. De lá, perto das 18h, o grupo seguiu pela avenida Rio Branco e pela rua da Consolação.

Por volta das 19h, na rua Coronel Xavier de Toledo, tiveram início confronto e as primeiras prisões. A PM ainda reagiu com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Tiros de bala de borracha também foram efetuados.

A ação da PM surtiu efeito e o protesto se dispersou, mas pequenos grupos de manifestantes passaram a cometer atos de vandalismo em ruas do centro da capital paulista. Estabelecimentos tiveram suas fachadas danificadas. Uma das agências do banco Itaú destruída fica na rua Sete de Abril; a outra, a cerca de 100 metros dali, fica na rua Marconi.

Em meio à ação, policiais militares cercaram e prenderam dezenas de manifestantes na rua Coronel Xavier de Toledo. No local, dezenas de agentes de segurança formaram um cordão de isolamento e ameaçaram jornalistas que se aproximaram.

A reportagem questionou a PM sobre a detenção dos profissionais da imprensa e foi informada de que os jornalistas detidos teriam adotado "práticas de manifestação típicas dos black blocs". "Temos imagens dos black blocs agindo. Quem não for (black bloc), será liberado na delegacia", disse um soldado.

Terra