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Sindicato exige libertação de jornalista preso durante protesto em SP

Em ofício encaminhado à Secretaria de Segurança Pública, entidade diz que prisão fere princípio de liberdade de imprensa

12 jun 2013
17h39
atualizado às 19h17
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A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) enviou nesta quarta-feira um ofício à Secretaria de Segurança Pública (SSP) em que exige a imediata libertação do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, 27 anos, do Portal Aprendiz, preso na noite de terça-feira enquanto fazia reportagem sobre os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público. Segundo o sindicato, Pedro "foi detido arbitrariamente", em uma ação que fere o princípio da liberdade de imprensa, razão pela qual a secretaria deve esclarecimentos.

No ofício enviado, a entidade diz que a prisão arbitrária do jornalista fere a liberdade de imprensa. "Ele é inscrito junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTb) como jornalista profissional diplomado, trabalha para o Portal Aprendiz, que estava presente à manifestação contra o aumento da tarifa do transporte publico ocorrida em 11/06/2013, realizando trabalho de cunho jornalístico, conforme assegura o Decreto-Lei n° 972/69, que regulamenta a profissão. Desta forma, configura a prisão um atentado a 'liberdade de imprensa'", diz o texto.

Nogueira é uma das 11 pessoas que permanecem presas nesta quarta-feira. Ele foi indiciado pelos crimes de dano qualificado e formação de quadrilha, que é inafiançável, e está na 78ª Delegacia de Polícia (DP).

O SJSP também manifestou sua solidariedade aos familiares do jornalista detido e se colocou à disposição da advogada do profissional para qualquer eventualidade. Segundo a mãe de Pedro Nogueira, Beatriz, a defesa do jornalista ingressou com uma petição na tentativa de garantir, na Justiça, a liberação. "Estamos esperando uma decisão do juiz, porque (a prisão) é um engano, né. Estamos pedindo que ele seja liberado porque estava trabalhando. Não estava depredando nada", disse a mãe do jornalista.

Segundo Beatriz, o delegado do 78ª DP, Severino Pereira de Vasconcelos, se mostrou irredutível diante dos argumentos de que Pedro foi preso no exercício de sua profissão. "Eu estava no momento do depoimento. A advogada dele tentou pedir para que as testemunhas fossem ouvidas, ela tinha também uma declaração do pessoal que trabalha com ele, a chefe dele mesmo, declarando de próprio punho que ele era jornalista, mas o delegado disse que não iria ouvir. Ele tratou todo mundo junto como se ele fosse manifestante. Ele não é um manifestante, é um jornalista", afirmou.

Nesta quarta-feira, foi publicado no YouTube um vídeo que mostra o momento da prisão de Pedro. Após assistir às imagens, Beatriz criticou a truculência empregada pelos policiais na ação. "Quando eu vi ( as imagens ) ontem à noite, ele me mostrou as costas dele, estão marcadas. Ele apanhou, e o vídeo mostra exatamente duas cacetadas. Ele tem dois vergões vermelhos nas costas, e o rosto também está machucado", relatou.

A PM foi procurada pelo Terra , mas ainda não se manifestou sobre a prisão do jornalista.

Jornalista tentava defender amigas
Beatriz contou que Pedro foi ao local para fazer a cobertura da manifestação para o Portal Aprendiz. "Quando estava indo embora, encontrou a namorada e mais duas amigas. Quase no final da Paulista, eles foram encurralados pela polícia e uma das amigas ficou para trás. Ele voltou para socorrê-la e se postou na frente dos policiais para defendê-la. Os policiais então o agrediram e o prenderam", explicou a mãe.

No Facebook, amigos se manifestaram quanto à prisão do jornalista. "Acabamos de sair da DP após passarmos a noite acompanhando os jovens lá detidos durante o ato contra o aumento. Entre os detidos, Pedrão Ribeiro Nogueira , jornalista que cobria o evento pelo portal aprendiz. Ele foi preso defendendo duas meninas que estavam sendo agredidas pela polícia. O Pedrão também acabou sendo agredido. Outro detido é o Raphael, vulgo clash. Precisamos de ajuda com advogados, divulgação e grana pra fiança. Contamos com a força de todos os movimentos, partidos, jornalistas e afins", postou Victor Sá.

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Protesto dura cerca de seis horas
Após quase seis horas do início do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô na capital paulista, foram registrados pelo menos 20 prisões de manifestantes e três casos de policiais militares feridos por pedras. A informação é do tenente-coronel Marcelo Pignatari, que comandou o policiamento que acompanhou os manifestantes, e disse ainda que os detidos foram encaminhados ao 78º Distrito Policial (Jardins).

Prisão de jornalista durante manifestação gerou mobilização em rede social
Prisão de jornalista durante manifestação gerou mobilização em rede social
Foto: Reprodução

A manifestação começou de maneira pacífica, mas os primeiros tumultos começaram logo no início da passeata, na rua da Consolação, onde um jovem ciclista foi detido ao trafegar na única faixa liberada na via. A partir daí, o clima continuou tenso, com novos episódios de confronto entre manifestantes e policiais militares.

A situação se agravou, porém, em frente ao terminal de ônibus Parque Dom Pedro. Após cerca de 20 minutos concentrados em frente ao local, um grupo de jovens tentou levar a passeata ao local, entregando flores aos policiais, mas foi impedida pela PM, que disparou bombas de gás lacrimogênio e tiros de bala de borracha.

A PM não soube informar quantos manifestantes ficaram feridos, mas a reportagem presenciou vários jovens sendo atingidos por cassetetes e balas de borracha disparados pelos policiais. Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos após serem atropelados por um motorista, que dirigia um Fiat Uno, que se irritou com a manifestação e atirou o carro contra os jovens - um homem e uma mulher, que não se feriram com gravidade.

Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação era "parar o País para serem escutados em Paris", em referência à cidade para onde o prefeito, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), foram para defender a candidatura da cidade para ser sede da Expo2020. No início do protesto, muitos passageiros de ônibus demonstraram apoio à passeata, aplaudindo a manifestação. Entretanto, a pichação dos veículos - muitos ônibus - e de prédios públicos foi reprovada por muitas pessoas que assistiam ao protesto.

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Confrontos
O protesto foi marcado por confrontos entre os manifestantes e policiais militares. Um grupo usou lixeiras e pedras para destruir vidraças de agências bancárias. Na rua Silveira Martins, o diretório do PT também foi apedrejado.

A Tropa de Choque da PM usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes, após o confronto no terminal de ônibus do parque Dom Pedro. Com isso, grande parte dos participantes do ato subiu para a avenida Paulista.

A manifestação teve início, no fim da tarde, com uma concentração no fim da Paulista. Depois saiu em passeata pela rua da Consolação. Em seguida, os participantes bloquearam completamente a Radial Leste, pegaram a avenida Liberdade, passando pela praça da Sé. Na avenida Rangel Pestana, um pequeno grupo apedrejou e queimou um ônibus elétrico que estava estacionado. No parque Dom Pedro, eles foram impedidos pela polícia de entrar no terminal de ônibus.

Aumento da tarifa
As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Desde o dia 6, a cidade vem enfrentando protestos.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. O decreto foi publicado , mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

Fonte: Terra

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