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SC: desabrigados pelas chuvas temem perder trabalho e animais

29 jan 2011 13h09
| atualizado às 13h34
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Fabricio Escandiuzzi
Direto de Florianópolis

Os desabrigados impedidos de retornarem às suas casas em Florianópolis (SC) criticam o "aluguel social" proposto pela prefeitura local. O maior problema é a impossibilidade de conseguir uma área para que a comunidade trabalhe com coleta de materiais recicláveis. Quarenta e sete famílias que viviam às margens do rio Papaquara, próximo ao balneário de Canasvieiras, estão abrigados em um ginásio no norte da capital e temem perder seus trabalho e animais.

A comunidade é uma das mais carentes da região. No local, há dezenas de cães, gatos, gansos e cavalos vivendo em meio ao esgoto, que corre a céu aberto. Os animais são alimentados pelos próprios moradores ou com doações entregues à prefeitura.

De acordo com um dos líderes dos moradores, o catador Luís Alberto Pereira Corrêa, outra preocupação é com a falta de espaço para trabalhar e levar os animais. "Nós trabalhamos e não roubamos. Com R$ 400 vamos alugar que espaço para separar o material que recolhemos?". "Temos animais, cães, gatos e cavalos que sobreviveram. Não podemos virar as costas e deixá-los na área que vai ser demolida", disse.

Corrêa mora há seis anos na região do Papaquara e pagou R$ 7 mil pelo seu terreno. Segundo ele, a comunidade se apossou de uma área de preservação ambiental há mais de uma década. "É nossa intenção sair, ninguém é contra a demolição", afirmou. "Mas desse jeito não é correto. Estamos sendo impedidos de voltar lá. Queríamos que nos cedessem um espaço para trabalhar e levar os bichos".

PM: ninguém entra na comunidade
Um carro da Polícia Militar (PM) permanece de plantão 24 horas por dia na entrada da comunidade para evitar saques. A retirada de roupas ou móveis que restaram é feita em grupos, com o monitoramento de equipes da prefeitura. Após a retirada de alguns pertencentes, os moradores voltam ao ginásio de esportes em que permanecem abrigados. A permanência na região é estritamente proibida.

Dona de um dos primeiros barracos atingidos pela enchente, Adriana Carneiro, 23 anos, disse gastou quase R$ 10 mil na construção. Ela permanece no abrigo com o marido e a filha de dois anos de idade. "Vamos receber 400 ou 500 por mês, mas sou contra sair assim, como se fosse uma criminosa. Só posso vir retirar minhas coisas se alguém me acompanha", disse. "Trabalhamos muito para comprar isso aqui. Perdi tudo e ainda tenho que passar por isso".

A maioria dos moradores comemora o fato de poder finalmente deixar a região do Papaquara, local marcado por uma série de alagamentos nos últimos anos. O que já começa a causar preocupação entre os desabrigados é com a "possível demora" para que uma nova área seja disponibilizada. "Todo mundo está impedido de trabalhar. As pessoas estão sem dinheiro e não podem voltar ao local", disse Luís Alberto. "Faz mais de dois anos que procuramos a prefeitura e mostramos interesse em sair dali".

Jessica dos Santos Duarte, 21 anos, chorou quando viu o que sobrou de sua casa. Os móveis foram empilhados no canto da casa e o quarto da filha foi completamente devastado. "Não temos para onde ir, não temos mais dinheiro e não podemos trabalhar aqui na comunidade", disse. "Não sei o que fazer".

A prefeitura acompanha a área e pretende resolver a questão de uma indenização em conversas marcadas na próxima semana com os desabrigados. A assessoria jurídica e a secretaria de Habitação acompanham de perto o caso.

Cão senta em frente a uma casa da comunidade às margens do rio Papaquara
Cão senta em frente a uma casa da comunidade às margens do rio Papaquara
Foto: Fabricio Escandiuzzi / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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