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RJ: "meu pai morreu como um herói", diz filho de motorneiro

29 ago 2011
02h18
atualizado às 07h28
HELVIO LESSA

"Ele foi um herói. Fez de tudo para salvar os passageiros e não conseguiu salvar a própria vida", disse Nelson Júnior, 31, filho do motorneiro Nelson Correa da Silva, 57, que morreu no acidente com o bondinho de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. O motorneiro foi sepultado no domingo no Cemitério de Inhaúma, juntamente com outras duas vítimas fatais, o casal João Batista Soares, 63 anos, e Ivone da Silva, 52.

"Ele gostava do que fazia. Falava com carinho dos bondinhos 7 e 10, nos quais trabalhava. Ficava triste quando os bondes não funcionavam", lembrou a sobrinha Caroline Costa Correa da Silva, 19. A mulher do motorneiro, Dulce Correa da Silva, passou mal durante o cortejo de Nelson, que reuniu cerca de 400 parentes, passageiros e moradores do bairro, que providenciaram um ônibus para transportar quem quisesse ir ao velório.

Vários motorneiros exaltaram o profissionalismo de Nelson. "Era um excelente profissional. Falta é manutenção. Não por culpa dos funcionários, mas por falta de peça de reposição", disse o aposentado Ricardo Gomes da Silva, 56. "Nelson foi o melhor aluno que eu tive", resumiu Moisés Mendes da Silva, 78.

A advogada Marilda Nunes, 65, viu o acidente e disse que Nelson gritava e fazia força para conter o bonde. "Ele poderia ter pulado, mas tentou evitar o pior até o fim".

O corpo da turista gaúcha Cláudia Lilian Almeida Fernandes será levado para o Rio Grande do Sul e o da menina Maria Eduarda Nunes, 12, está no IML, porque os pais, também vítimas do acidente, ainda estão internados.

Assistentes sociais do governo do Estado orientaram familiares que estavam ontem no IML para a liberação dos corpos. Turista do Rio Grande do Sul, Hugo Gomes perdeu a mulher, Cláudia, no acidente e teve que ser atendido no carro de amigos. Ele, ferido no acidente, estava machucado nas pernas e nos pés. O Estado do Rio pagará despesas do enterro e translado do corpo da mulher para Santana do Livramento (RS), onde o casal morava.

Do hospital para o enterro dos pais
Emocionada, Sabrina Monique Soares, que recebeu alta ontem, foi direto para o velório dos pais, João Batista Soares e Ivone da Silva. Segundo o irmão de Ivone, Arivaldo Silva, João completou 63 anos no dia 17 e pretendia comemorar ontem com um almoço em família

Ainda sem uma resposta oficial sobre o motivo do trem ter descarrilado, parentes do casal apontavam para a falta de manutenção e a superlotação. "Além de estar mal cuidado, quem vai em pé no bondinho não paga. E não tem ninguém para controlar quem vai sentado ou em pé. Com trem lotado, como é que o freio vai segurar aquele peso todo?", questiona Ugo Silva, 23, sobrinho das vítimas.

Menino de 3 anos é o caso mais grave
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil informou que dez pacientes vítimas do acidente permaneciam internados no domingo em dois hospitais municipais da cidade. São oito vítimas no Hospital Souza Aguiar, no centro, e dois no Hospital Miguel Couto, na Gávea.

Ainda segundo a Secretaria, os pacientes foram submetidos a cirurgias e estão estáveis. O caso mais grave é o de um menino de 3 anos, internado no CTI pediátrico do Hospital Souza Aguiar, que permanece em observação. Alguns pacientes foram atendidos em UPA e Hospital do Andaraí.

A maioria das vítimas recebeu alta no mesmo dia. Muitas eram turistas e estavam no bonde para conhecer a cidade.

Felipe Honorato Teodoro, 25, e Poliana Araújo Assis, 23, vieram de Brasília. Ela teve cortes profundos na testa e na cabeça. "Estamos assustados porque se a cidade não consegue cuidar de um bonde como vai organizar uma olimpíada", questiona Felipe.

Veja local do acidente:

Vários motorneiros exaltaram o profissionalismo de Nelson e culparam o equipamento pelo acidente
Vários motorneiros exaltaram o profissionalismo de Nelson e culparam o equipamento pelo acidente
Foto: Murilo Rezende / Futura Press
O Dia

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