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14 de agosto de 2013 • 18h19 • atualizado em 14 de Agosto de 2013 às 22h35

RJ: PM impede que manifestantes se aproximem do Palácio Guanabara

Ao menos 20 pessoas foram detidas acusadas de depredações

Manifestantes também ocupam a frente da Câmara Municipal. Eles estão acampados em frente ao prédio e demonstram apoio ao grupo que está ocupando a Casa
Foto: Marcello Dias / Futura Press
  • Cirilo Junior
    Direto do Rio de Janeiro
 

Policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) impediram que manifestantes, principalmente integrantes do grupo Black Bloc, chegassem ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, nesta quarta-feira, em novo protesto contra o governador do Estado Sergio Cabral (PMDB). Eles foram bloqueados na rua Paissandu, próximo à rua Pinheiro Machado.

Policiais da Tropa de Choque usaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar manifestantes que tentavam chegar a frente do Palácio Guanabara.

Com a dispersão, os manifestantes se espalharam por ruas internas do bairro e os policiais continuam o patrulhamento no local, usando incluisve carros blindados, os caveirões. Com medo de tumulto e depredação, os comerciantes fecharam as portas.

Os manifestantes são acompanhados por policiais do Grupamento de Policiamento de Proximidade em Multidões (GPPM), criado recentemente com objetivo de mediar conflitos com manifestantes.

Um ativista chegou a ser detido depois de pichar a fachada de um prédio residencial. Os manifestantes pedem o impeachment do governador Sergio Cabral, cobram a localização do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido há exatamente um mês, no dia 14 de julho, na Rocinha, e defendem pautas como o passe livre no transporte e a desmilitarização da PM. 

Ainda hoje, policiais militares revistaram as bolsas de manifestantes que se concentraram na praça São Salvador, também em Laranjeiras, no início da manifestação.

PMs cercam Palácio Guanabara
Policiais cercaram o Palácio Guanabara, que também foi protegido com grades. Um grupo de manifestantes entrou em conflito com a PM e lançou pedras e outros objetos contra os homens da segurança do governo.

Por conta da manifestação, a rua Pinheiro Machado ficou interditada em ambos os sentidos às 19h36, segundo o Centro de Operações da prefeitura do Rio de Janeiro. Quem segue em direção ao Centro deve acessar a praia de Botafogo. No sentido Botafogo, o desvio é realizado pela rua das Laranjeiras.

A polícia dispersou manifestantes com jato d'água. Por volta das 20h30, o trânsito começou a ser liberado na rua Pinheiro Machado. Parte dos manifestantes se espalhou pelas ruas de Laranjeiras e outro grupo se dirigiu para o Largo do Machado. 

Ao menos 20 pessoas foram detidas e levadas para a 9ª Delegacia de Polícia (Catete), acusadas de depredações. Pelo menos duas agências bancárias foram atacadas na área de Laranjeiras e Largo do Machado. 

PM dispersa Black Blocs com bala de borracha
Por volta das 22h30, Black Blocs começaram a se deslocar para o centro da capital fluminense. O grupo saiu em passeata pela rua do Catete, e, na rua Santo Amaro, na Glória, um novo confronto entre manifestantes e PMs começou. 

Os manifestantes correram e a polícia usou balas de borracha para tentar dispersar o grupo. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Com informações da Agência Brasil

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