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Parente de 'rei dos ônibus' diz que atirar aviões de dinheiro em festa foi erro

Daniel Barata, que diz ser neto de Jacob Barata, o "rei dos ônibus", teria agredido manifestantes no polêmico casamento do último sábado no Rio

15 jul 2013
13h32
atualizado às 19h08
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Flagrado numa imagem atirando "aviões" feitos com notas de R$ 20 da sacada do hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio de Janeiro, contra manifestantes que se aglomeravam em frente ao local, Daniel Barata, que se diz irmão da noiva da festa de casamento, usou o Facebook para dizer que seu ato "foi desnecessário".

A partir da atitude de irmão da noiva, manifestantes e polícia entraram em confronto durante festa de casamento
A partir da atitude de irmão da noiva, manifestantes e polícia entraram em confronto durante festa de casamento
Foto: Erick Dau / Futura Press

A partir dessa atitude que as cerca de 200 pessoas, que protestavam em frente ao luxuoso hotel contra o casamento de Beatriz Barata, neta de Jacob Barata - conhecido como o "rei dos ônibus" por ser detentor de várias empresas do ramo na capital fluminense -, teriam iniciado o tumulto que teve intervenção da Polícia Militar com bombas de efeito moral e spray de pimenta.

"Concordo que foi falta de respeito e um deboche desnecessário visto a minha alegada posição de evitar conflito. Mas infelizmente foi desrespeito gerado por outro", justificou o jovem, "marcado" na rede social por um suposto manifestante identificado como Anderson Queimados Alerta, que postou a foto em que Daniel atira notas de R$ 20 da sacada do Copacabana Palace.

"Eu só acho incoerente as pessoas gastarem o seu dinheiro para irem ao protesto de ônibus contra um dono de ônibus. Não seria muito mais fácil não sair, para não pagar o ônibus e dar dinheiro para quem tanto hostilizam?", indagou ainda Barata na discussão. "Desculpa aos ofendidos e boa sorte com a luta aos que conhecem seus ideais", complementou.

Além do episódio das notas de R$ 20 e da intervenção da PM, dois manifestantes teriam sido agredidos por um convidado. Um deles, o estudante  Ruan Martins Nascimento, foi atingido na testa por um cinzeiro de vidro e levou seis pontos. Ele realizou na manhã desta segunda-feira exame de corpo e delito no Instituto Médico Legal (IML).

De acordo com a advogada Eloísa Samy, que representou o jovem na denúncia de agressão feita na 12ª DP (Copacabana), logo após o episódio, Daniel Barata "foi para a porta do hotel e certamente agrediu dois manifestantes. Eu estava lá e eu vi". Eloísa desconfia que o irmão da noiva também possa ter atirado o cinzeiro que machucou Nascimento. "Parece que ele assumiu isso no Facebook, e depois retirou", disse ela.

Na página de Daniel Barata na rede social não existe qualquer menção à agressão. Em mensagens trocadas com a reportagem do Terra, ele preferiu não dar entrevista, mas negou que tenha arremessado o objeto de vidro e também que tenha agredido manifestantes na porta do Copacabana Palace. Diante da repercussão dos fatos, Daniel apagou na tarde desta segunda-feira a página dele do Facebook, mas o perfil voltou ao ar no início da noite

Ruan Nascimento prestará novo depoimento na tarde desta segunda-feira ao delegado responsável pela 12ª DP, que já anunciou também que irá solicitar as imagens do circuito interno do Copacabana Palace, além de ouvir outras testemunhas presentes ao casamento de Beatriz Barata com Francisco Feitosa Filho, herdeiro do ex-deputado federal cearense Chiquinho Feitosa, também empresário do ramo de transportes no nordeste.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra

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