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RJ: mães protestam em frente à prefeitura após acidente com ônibus

Veículo escolar colidiu de frente com um caminhão nesta quarta-feira. Dois adolescentes morreram

12 jun 2013
18h46
atualizado às 19h07
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Um grupo de aproximadamente 30 mães de alunos que utilizam o transporte de Silva Jardim, no interior do Rio de Janeiro, protestou na tarde desta quarta-feira em frente à prefeitura da cidade. Revoltadas, elas pediam veículos em melhores condições para levar seus filhos. Na manhã de hoje, um grave acidente na estrada RJ-140 deixou dois adolescentes mortos, outras 17 crianças e adolescentes e também quatro adultos feridos. Duas pessoas permanecem em observação, mas não correm risco de morrer.

<p>Mulheres realizaram protesto após a morte de dois adolescentes em um acidente nesta quarta-feira</p>
Mulheres realizaram protesto após a morte de dois adolescentes em um acidente nesta quarta-feira
Foto: Mauro Pimentel / Terra

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As mulheres reclamam principalmente da velocidade que os motoristas trafegam transportando os alunos. Segundo elas, os veículos escolares circulam correndo bastante, colocando a vida das crianças em risco. Elas alegam também que os motoristas contratados não são bem preparados.

“Eles estão sempre correndo. A maior parte deles foi mandada embora de outras empresas, e a prefeitura aproveita. Queremos segurança para nossos filhos”, afirmou a dona de casa Maria Mendonça, mãe de um garoto de 10 anos.

Outra reclamação recorrente é sobre a lotação dos ônibus. Segundo as mães, é comum os alunos viajarem em pé, e três deles dividirem um banco em que só cabem dois. Maria contou que outros dois acidentes com Kombis que transportavam alunos ocorreram na cidade nos últimos meses. Essas batidas tiveram menor gravidade que o acidente de hoje, e não deixaram vítimas fatais.

A dona de casa Jorginha Silva Araújo integrava o grupo, e ao mesmo tempo respirava aliviada. Ela contou que o filho dela, de 10 anos, chegou a embarcar no ônibus que se acidentaria depois. Mas decidiu voltar para trocar a calça que usava por uma bermuda.

“O ônibus ficou um pouco parado esperando outros alunos, e ele decidiu voltar e pegar outro depois. Por pouco ele não esteve nesse acidente”, comentou, observando que o garoto costumava relatar que os motoristas costumam trafegar em alta velocidade.

“A prefeitura gasta dinheiro para contratar show do Naldo e do Erasmo Carlos, e deixa nossas crianças em perigo”, protestou, lembrando dos artistas contratados para os shows de comemoração do aniversário da cidade, no início de maio.

A prefeitura de Silva Jardim negou que os ônibus circulem em más condições. Segundo o subsecretário de Comunicação Social, Ricardo Mariachi, o acidente da manhã desta quarta-feira foi uma “fatalidade”, devido ao fato de o motorista ter desviado de urubus que estavam na pista.

Ainda de acordo com Mariachi, o veículo acidentado está com a documentação em dia e circulam com, no máximo, 25 pessoas, a capacidade total permitida, com todos sentados. Ele ressaltou que a atual administração assumiu no início do ano e regularizou a situação de 10 ônibus que estavam fora das condições previstas. Sobre os acidentes com as Kombis, ele alegou que os veículos não eram da prefeitura, e faziam lotadas.

Quanto aos shows do aniversário da cidade, Mariachi ressaltou que os artistas foram escolhidos pela população em enquete realizada na internet. Ele atribuiu o protesto em frente à prefeitura a “pessoas que querem se aproveitar politicamente de uma tragédia”.

O acidente matou os estudantes Jefferson Batista da Silva, 15 anos, e Jonathan Quintanilha Venceslao, 13. O corpo de Jefferson está sendo velado na Igreja do bairro de Lucilândia. Ambos serão enterrados amanhã pela manhã.

O acidente
O micro-ônibus escolar tinha saído da localidade conhecida como Boqueirão, e se dirigia à cidade de Silva Jardim. Na altura do Km 5,5 da RJ-140, colidiu de frente com um caminhão. O veículo que transportava as crianças pertencia à prefeitura, e, segundo relatos de testemunhas, bateu no caminhão depois de perder o controle ao desviar de animais que estavam na pista. Um carro de passeio também foi atingido pelo ônibus após a colisão com o caminhão.

As crianças que estavam no ônibus estudavam no Centro Educacional Adail Maria Tinoco, no bairro de Lucilândia. O prédio está em obras, devido a rachaduras, desde o início do ano, e os estudantes estavam temporariamente alocados em uma outra escola, no centro da cidade. O ônibus tinha sido disponibilizado justamente para levar as crianças da localidade original para a instalação temporária.

Terra

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