RJ: casamento da neta do 'Rei do transporte' pode ter custado R$ 2 mi

atualizado às 10h29
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O casamento de Beatriz Barata, neta do empresário Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus” do Rio de Janeiro, com Francisco Feitosa Filho, herdeiro de Chiquinho Feitosa, ex-deputado federal cearense que também fez fortuna comandando empresas de transportes, contou com a presença de cerca de mil pessoas e deve ter saído por R$ 2 milhões, segundo informações do jornal O Globo.  A festa, realizada no último sábado no Copacabana Palace, foi alvo de protestos na capital fluminense.

 Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press
Seguranças observam manifestante vestida de noiva em frente à Igreja do Carmo, no Rio
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press

No Rio de Janeiro, a grande festa foi divulgada apenas para os íntimos, mas, no Ceará, o casamento de Beatriz e Francisco ganhou várias notas publicadas por colunas sociais locais. Uma das últimas notas, de sexta-feira, segundo o jornal, era do site Balada In, dizendo que já tinham vindo do Nordeste “cerca de cem sobrenomes poderosos que estão curtindo o que a Cidade Maravilhosa tem de melhor”.  Após o casamento, aos poucos, informações da festa começaram a ser publicadas nas redes sociais, como um show do cantor Latino, com uma bandeira do Brasil no palco e detalhes da milionária decoração e da tiara da noiva feita, supostamente, de diamantes. Uma das madrinhas postou uma foto dela e das amigas na festa com a hashtag #cariocaspobres.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba , Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

Terra

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