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15 de julho de 2013 • 10h21 • atualizado às 10h29

RJ: casamento da neta do 'Rei do transporte' pode ter custado R$ 2 mi

Seguranças observam manifestante vestida de noiva em frente à Igreja do Carmo, no Rio
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press
 

O casamento de Beatriz Barata, neta do empresário Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus” do Rio de Janeiro, com Francisco Feitosa Filho, herdeiro de Chiquinho Feitosa, ex-deputado federal cearense que também fez fortuna comandando empresas de transportes, contou com a presença de cerca de mil pessoas e deve ter saído por R$ 2 milhões, segundo informações do jornal O Globo.  A festa, realizada no último sábado no Copacabana Palace, foi alvo de protestos na capital fluminense.

No Rio de Janeiro, a grande festa foi divulgada apenas para os íntimos, mas, no Ceará, o casamento de Beatriz e Francisco ganhou várias notas publicadas por colunas sociais locais. Uma das últimas notas, de sexta-feira, segundo o jornal, era do site Balada In, dizendo que já tinham vindo do Nordeste “cerca de cem sobrenomes poderosos que estão curtindo o que a Cidade Maravilhosa tem de melhor”.  Após o casamento, aos poucos, informações da festa começaram a ser publicadas nas redes sociais, como um show do cantor Latino, com uma bandeira do Brasil no palco e detalhes da milionária decoração e da tiara da noiva feita, supostamente, de diamantes. Uma das madrinhas postou uma foto dela e das amigas na festa com a hashtag #cariocaspobres.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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