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RJ: abrigo de crianças usuárias de crack tem remédio vencido

3 set 2011
13h20
atualizado às 13h43
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Maria Luisa de Melo

Remédios ministrados fora do prazo de validade, prescrições médicas feitas apenas uma vez por mês, contrariando legislação vigente, ausência de farmacêutico e nutricionista, além de má conservação de algumas unidades. Estas são algumas das irregularidades encontradas nos abrigos para onde são levados os menores usuários de crack apreendidos pela Prefeitura do Rio para internação compulsória. As informações compõem um relatório divulgado pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ).

A internação compulsória de menores usuários de drogas foi uma medida adotada pela prefeitura da cidade há três meses, diante do grande número de crianças e adolescentes nas ruas. Segundo o Coren, no entanto, não há planejamento terapêutico para recuperar os 85 meninos e meninas abrigados.

O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, foi procurado através de sua assessoria para responder às denúncias. Uma porta-voz da secretaria, no entanto, informou que as queixas do Coren são desconhecidas pela secretaria e só serão respondidas quando houver notificação oficial.

Algumas cartelas de medicamentos controlados encontradas no abrigo Bezerra de Menezes, que atende cerca de 20 meninas usuárias de drogas, em Guaratiba, zona Oeste do Rio, estão com a validade vencida desde maio do ano passado. No banheiro usado pelas internadas há infiltrações no teto e falta água para quem quiser lavar as mãos.

Ainda segundo informações do Coren, o médico que prescreve remédios e a única enfermeira que atende nos dois espaços de Guaratiba são voluntários e não estariam todos os dias nas unidades. "Há uma resolução do Conselho de Enfermagem que proíbe uma mesma prescrição médica por mais de 24h. Isto está sendo descumprido nos abrigos, já que o médico só aparece duas vezes por semana e a prescrição médica é feita repetidamente, ignorando eventuais alterações do quadro clínico dos pacientes ao longo da administração dos medicamentos", explica Wendy Bueno.

Hoje, 85 meninos e meninas estão internados em quatro abrigos. Dois deles estão localizados em Guaratiba, um em Campo Grande (zona Oeste) e o quarto em Laranjeiras (zona Sul). Segundo informações da Secretaria Municipal de Assistência Social, apesar de as crianças não terem aulas nem frequentarem a escola durante o período de internação, elas recebem o acompanhamento de um psiquiatra duas vezes por semana e de uma pedagoga, semanalmente.

No caso dos abrigos dos centros de Atenção à Dependência Química Bezerra de Menezes, Manoel Filomeno e Casa Ser Criança, todos são administrados pela Casa Espírita Tesloo, que, segundo a prefeitura, é uma Organização não Governamental, que mantém uma parceria com a Secretaria.

Apresentando-se como a administradora de uma das casas, Vatusy Ramos nega que as crianças fiquem ociosas e rechaça também a ausência de profissionais da área médica. "Há médicos duas vezes por semana e enfermeiras, três. As crianças não ficam descuidadas. Elas participam de oficinas diárias", alega.

Nos próximos dez dias, o relatório que aponta irregularidades nos abrigos será concluído e entregue à prefeitura do Rio de Janeiro. A intenção, segundo membros do Coren, é contribuir para o aperfeiçoamento da internação compulsória.

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