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Rio Negro está a 86 cm da maior cheia da história do AM

5 mai 2009
22h10
atualizado em 6/5/2009 às 08h37

Arnoldo Santos

Direto de Manaus


Pelo menos 38 municípios foram atingidos pela cheia do rio Negro no Amazonas. Em Manaus, o nível da água chegou nesta terça-feira aos 28,83 m, índice apenas 86 cm mais baixo que nível de 1953, quando foi registrada a maior cheia no Estado. Em outras regiões, os rios continuam subindo e mais de 184 mil pessoas foram afetadas, segundo dados oficiais da Defesa Civil do Amazonas.

População enfrenta alagamentos em Manaus
População enfrenta alagamentos em Manaus
Foto: Arnoldo Santos / Especial para Terra

Em Barreirinha, o governo começou a distribuir hoje os cartões chamados SOS Enchente que dão direito a R$ 300. O dinheiro será doado a 1.421 famílias cadastradas pelas comissões de Defesa Civil dos municípios. "A orientação da Defesa Civil é que evacuemos a cidade, pois a previsão é de que a água suba ainda entre 80 cm e 1 m. Estão comprometidos 90% da cidade. O comércio paralisou e as aulas foram suspensas. A prefeitura está trabalhando praticamente pra atender o pessoal da enchente. Há possibilidade de faltar água potável", declarou o prefeito de Barreirinha, o índio Messias Saterê.

Em Parintins, o rio Amazonas invadiu as três principais avenidas que ligam as partes leste e oeste da cidade. Contando com a zona rural, o município contou cerca de 1,7 mil famílias atingidas pela subida da água.

No município de Maués, a Secretaria de Ação Social contou 526 famílias atingidas, das quais 150 já foram retiradas de suas residências e alojadas em duas escolas municipais, segundo informou o coordenador de Comunicação Social, Manoel Garcia. A avenida principal da cidade teve o tráfego de veículos pesados proibido.

"Há a possibilidade de que o terreno ceda por causa da pressão que a água está fazendo por baixo", explica o coordenador. O rio Maués está a menos de 80 cm de invadir a rua da frente da cidade. Para prevenir doenças relacionadas com a água, uma equipe de 14 médicos está percorrendo os bairros da cidade, tentando esclarecer a população. "Não tivemos doenças registradas ainda, mas nossa maior preocupação é com as crianças que ficam caindo na água do rio que invadiu as ruas sem atentar para o perigo das doenças", explicou Garcia.

Uma equipe da Defesa Civil municipal está percorrendo as comunidades ribeirinhas distribuindo remédios, cobertores, colchões e, para algumas, até madeira para que as famílias construam as "marombas", assoalhos extras acima do original das casas. Nessas regiões, a população mora exclusivamente em palafitas, casas de madeira construídas acima do nível do chão. Nesta quarta-feira, a equipe de governo vai distribuir os cartões SOS Enchente nos municípios de Anamã, Pauiní e Canutama.

Fonte: Especial para Terra
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