publicidade
07 de abril de 2010 • 03h01 • atualizado em 08 de Abril de 2010 às 11h22

Rio: chuva enfraquece, mas risco de deslizamentos ainda é alto

Imagem aérea mostra as ruas do bairro Jardim Botânico inundadas por água e lama
Foto: Reuters
 

A chuva que até o final da noite dessa terça-feira ameaçava agravar a situação no Rio de Janeiro diminui em intensidade nesta quarta-feira. Segundo a Climatempo, continuará chovendo, porém, a chuva será fraca ainda que persistente. De qualquer forma, a situação ainda é preocupante, uma vez que em diversas áreas o solo permanece encharcado, aumentando o risco de deslizamentos. Conforme informação atualizada às 3h do Alerta Rio, serviço de monitoramento de chuvas e condições meteorológicas do município do Rio de Janeiro, a cidade permanece em estado de alerta máximo, com probabilidade de deslizamentos muito alta.

A chuva que atinge o Rio de Janeiro desde segunda-feira deixou ao menos 102 mortos no Estado, informou o Corpo de Bombeiros. São 37 mortos na capital, 53 em Niterói, nove em São Gonçalo, um em Nilópolis, um em Paracambi e um em Petrópolis. Outras 102 pessoas ficaram feridas. Segundo estimativas do Corpo de Bombeiros de Niterói, o número de mortos deve aumentar nas próximas horas.

O prefeito da capital, Eduardo Paes (PMDB), afirmou nessa terça-feira que a cidade tem 1.410 pessoas desabrigadas e desalojadas. De acordo com ele, todos os mortos foram vitimados por deslizamentos provocados pelo encharcamento das encostas. A população foi orientada a permanecer em casa. As que estão em áreas de risco, onde existem 10 mil residências, porém, devem deixar esses locais. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos.

No início da noite dess terça-feira, a prefeitura cancelou o estado de alerta na cidade em função da diminuição da intensidade das chuvas, mas mantém o estágio de atenção. "Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossos frontes de trabalho", disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros.

No morro do Borel, na Tijuca, Ana Marcele Barbosa, de 5 meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas ficaram feridas. No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro do Turano, ambos na zona norte. A tragédia também fez uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste.

"A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica", disse o prefeito.

Chuva recorde
Paes afirmou que em menos de 24 horas choveu em média 288 mm na cidade. "É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro", disse. De acordo com a Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril, que é cerca de 140 mm.

O Serviço de Meteorologia do Rio de Janeiro registrou que o índice é o maior da cidade desde que iniciou a medição, há mais de 40 anos. Mas os resultados oficiais do índice pluviométrico, realizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ainda não foram divulgados.

Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Rio de Janeiro nessa terça-feira, cancelou a agenda prevista ao Complexo do Alemão, onde inauguraria obras do Programa de Aceleração do Crescimento na comunidade. "As enchentes atingem sempre as pessoas que moram em locais pobres, em locais inadequados", disse Lula a jornalistas no Rio, antes de participar de evento na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"Temos que esperar passar a chuva para cuidar das pessoas", acrescentou o presidente, que ofereceu ajuda por telefone ao prefeito Eduardo Paes e ao governador do Rio, Sérgio Cabral.

Luto oficial
Cabral decretou luto oficial de três dias pelas vítimas dos temporais. "O mais importante agora é evitar o mal maior, que é a perda de vidas. Quem vive em locais de risco, deve procurar abrigo em lugares seguros", disse.

Aulas suspensas
Na capital fluminense, as aulas foram canceladas na terça-feira e nesta quarta-feira. Paes anunciou que as escolas municipais não funcionarão e pediu que as unidades particulares de ensino sigam o exemplo, que também foi adotado pela rede estadual.

Previsão
Segundo a Climatempo, a previsão é de que a chuva deve atingir o Rio até quinta-feira, embora com menor intensidade. Uma forte frente fria avança pelo Sudeste do Brasil e o intenso contraste térmico entre o ar polar e o ar quente tropical mantém as condições. Além disso, a temperatura superficial das águas do Atlântico, perto do litoral fluminense, está cerca de 2°C acima do normal.

Ainda de acordo com a agência, o mar sobe muito nas próximas 24-36 horas. Há previsão de ressaca entre esta quarta e quinta-feira.

Aeroportos
O aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pousos e decolagens durante três horas na manhã dessa terça-feira. O terminal alternou períodos de funcionamento e suspensão das atividades. As 21h, o boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrava 37 atrasos (23,9%) e 91 cancelamentos (58,7%), dos 155 voos previstos.

O Galeão operou por instrumentos durante a terça-feira. Das 111 decolagens previstas até as 21h, 53 tinham registrado atraso, mas não houve cancelamentos.

Transporte
O Metrô Rio divulgou nota nessa terça-feira informando que os trens das Linhas 1 e 2 estão operando normalmente, com intervalos regulares de 5 minutos e 40 segundos. No trecho entre a Central e Botafogo, os intervalos são de 2 minutos e 50 segundos. Na segunda-feira, de acordo com o metrô, foi registrado um movimento recorde. Mais de 632 mil passageiros usaram o serviço em função do temporal. As estações do Centro e São Cristóvão foram as mais procuradas.

Para quem utiliza as barcas, a volta para casa também está garantida. Os intervalos na travessia Rio-Niterói são de 30 minutos. Por determinação da Capitania dos Portos e em função da baixa visibilidade no mar, as embarcações operaram com velocidade reduzida e auxílio de instrumentos.

Energia
As equipes da Light estão mobilizadas para atender as ocorrências de emergência e restabelecer o fornecimento de energia em trechos de ruas de alguns bairros. A empresa concentrou seu call center no Disque-Light Emergência (0800-0210-196).

A Light registrou, ao longo da terça-feira, interrupções em trechos de ruas dos seguintes bairros: Tijuca, Botafogo, Ilha do Governador, Barra da Tijuca, Laranjeiras, São Conrado, Santa Teresa e Rio Comprido. Especificamente em Botafogo, o alagamento de galerias subterrâneas e acúmulo de detritos dificultaram o acesso aos cabos e equipamentos.

Trânsito
A estrada Grajaú-Jacarepaguá e a avenida das Américas, na altura da Grota Funda, permaneciam interditadas até o fim da tarde dessa terça-feira nos dois sentidos pois havia risco de deslizamento de terra, segundo informou a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio).

De acordo com a Defesa Civil, um deslizamento de terra bloqueou parcialmente a pista da rua Timotéo da Costa, no Leblon, na altura da rua Sambaiba. Outro deslizamento bloqueou metade da pista em direção à Barra da Tijuca da autoestrada Lagoa-Barra na saída do Túnel do Joá.

Veículos recolhidos
Os reboques usados nas operações do Choque de Ordem estão de prontidão para socorrer os motoristas em caso de novos alagamentos. Até as 18h, 113 automóveis foram removidos para áreas mais altas para liberar as ruas. Entre os carros resgatados estava um Jaguar branco, 0 km, encontrado boiando na Lagoa, nas imediações do Corte do Cantagalo.

Os locais mais afetados foram a Praça da Bandeira, Lagoa e Humaitá. Cerca de 30 automóveis estavam abandonados pelos motoristas em diversos pontos da Lagoa. No Humaitá foi preciso uma retroescavadeira para que carros fossem retirados da lama, que desceu da rua Viúva Lacerda.

Com informações de O Dia e das agências EFE e Reuters.

Redação Terra