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Recife terá telas de proteção contra ataques de tubarões

22 ago 2012
08h21
atualizado às 08h27
Celso Calheiros
Direto de Recife

O mar de Recife deve experimentar, nos próximos meses, a utilização de telas de proteção contra tubarões, conforme decidiram terça-feira os integrantes do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), uma instituição que reúne integrantes dos órgãos de defesa social, pesquisa e controle do meio ambiente e buscam formas para reduzir os ataques com o maior predador dos mares.

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O projeto das telas é antigo e, pelo calendário apresentado pelo advogado Sérgio Murilo Filho, não estará nas praias antes do final do ano. "A partir de setembro e até outubro, vamos começar a fabricar as telas nas colônias de pescadores. Depois, por dois meses realizaremos diferentes testes em um trecho da praia", detalhou Sérgio Murilo, integrante da organização não governamental Praia Segura.

As telas vão proteger uma linha com cerca de 200 m da Praia de Boa Viagem, entre os edifícios Espanha e Castelinho. O trecho foi conhecido no passado pela prática de surfe, mas proibido por 20 km do litoral da região metropolitana do Recife, depois de 55 ataques de tubarão, registrados oficialmente.

O objetivo das telas é evitar a aproximação dos animais. O material não irá aprisioná-los e não é suficiente para afugentá-los. As telas não são compostas de nylon, mas de poliamida multifilamentada, um tecido bastante resistente. A trama da rede deverá ser de 25 mm. De acordo com Sérgio Murilo, a tecnologia é utilizada há 20 anos nas praias em Hong Kong.

O material será instalado de forma provisória e protegerá uma área limitada. Boias menores vão começar a partir da areia e avançar 150 m de água, presas por boias maiores com sinalizadores. Depois de 150 m, a tela faz um ângulo reto, torna-se linear por mais 200 m e retorna à praia.

O convênio firmado entre a ONG Praia Segura e a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco vai custar R$ 385 mil aos cofres públicos. O projeto prevê a compra de todos os equipamentos, a construção das telas presas com as boias, os dois meses de testes com monitoramento (feitos pela Universidade Federal Rural de Pernambuco), campanha publicitária para esclarecimento da população, além de um evento esportivo náutico, como um campeonato de surfe - proibido nos 20 km de litoral do Grande Recife desde 1979.

Também ficou definido que novas placas de alerta contra ataques de tubarão serão instaladas em toda área proibida para surfe até a Copa do Mundo. Elas devem obedecer à sinalização internacional de alerta contra o risco de ataques de tubarão e substituirão as já existentes. De acordo com o coronel Daniel Ferreira, comandante do Corpo de Bombeiros, problemas ambientais e de depredação fizeram com que apenas 88 das 152 placas de alerta instaladas continuassem em pé.

Fonte: Especial para Terra

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