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Prédio da prefeitura de Belém é atingido por coquetel molotov em protesto

24 jun 2013
22h42
atualizado às 22h53
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Um manifestante jogou um coquetel molotov (artefato incendiário) no prédio da prefeitura de Belém, nesta segunda-feira, enquanto um protesto era realizado em frente ao local. O artefato atingiu a fachada do prédio, tombado pelo patrimônio histórico, mas as chamas logo se apagaram. Na hora, houve tumulto, muitos sentaram no chão e pediram paz, enquanto a polícia tentou acalmar a todos. 

<p>Um manifestante jogou um coquetel molotov no prédio da prefeitura de Belém, nesta segunda-feira, enquanto um protesto era realizado em frente ao local</p>
Um manifestante jogou um coquetel molotov no prédio da prefeitura de Belém, nesta segunda-feira, enquanto um protesto era realizado em frente ao local
Foto: Filipe Farao / Especial para Terra

Em vez de bombas de gás lacrimogêneo, os policiais atiraram duas bombas de efeito moral. O responsável por atirar o coquetel molotov não foi identificado. Ao menos três pessoas foram detidas, todas sob críticas e ofensas de quem pedia paz.

Cerca de 2 mil manifestantes estão na frente da sede da prefeitura, após cerca de seis quilômetros de caminhada, iniciados no início desta noite. Além das reivindicações contra corrupção, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37, o chamado projeto da "cura gay" e outras causas, os ativistas acrescentaram a redução do preço da passagem de ônibus na cidade, que hoje é de R$ 2,20 à pauta.

O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), está em Brasília, onde participou de reunião com a presidenta Dilma Rousseff. Ele não delegou a ninguém a tarefa de dialogar com os manifestantes. Dentro da prefeitura estão apenas policiais da Tropa de Choque, para evitar que o prédio seja invadido.

Na última quinta-feira (20), após passeata de mais ou menos 15 mil pessoas, manifestantes tentaram invadir o mesmo prédio da prefeitura. A polícia reagiu com spray de pimenta, gás lacrimogêneo e munição de borracha. Cerca de 30 pessoas foram detidas.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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Fonte: Especial para Terra
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