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Parente de Carlos Gomes quer vetar nome de Quércia em aeroporto

17 abr 2011
18h18
atualizado às 18h27
Rose Mary Souza
Direto de Campinas

Ao tomar conhecimento que tramita na Câmara dos Deputados em Brasília um projeto de lei que propõe a alteração do atual nome do Aeroporto Internacional de Viracopos para Aeroporto Internacional Governador Orestes Quércia, a professora Denise de Oliveira Maricato, sobrinha trineta do maestro Carlos Gomes (1839-1896), iniciou uma campanha contra a ideia.

Professora Denise de Oliveira Maricato, sobrinha trineta de Carlos Gomes, quer o nome do maestro no aeroporto de Viracopos
Professora Denise de Oliveira Maricato, sobrinha trineta de Carlos Gomes, quer o nome do maestro no aeroporto de Viracopos
Foto: Rose Mary Souza / Especial para Terra

O nome de Carlos Gomes passou a ser cogitado por Denise após ela perceber que Quércia, morto no ano passado, não era nem mesmo um cidadão de Campinas, mas nascido no município de Pedregulho.

"Carlos Gomes levou sua música para a Europa, tornando Campinas e o Brasil conhecidos lá fora. O mundo sabe quem é Carlos Gomes", justificou a sobrinha trineta do compositor da ópera O Guarani. "No Rio de Janeiro temos o Tom Jobim, não é mesmo? As pessoas desembarcam no Brasil e dizem: sim, Tom Jobim, que fez aquela música, aquela obra", comparou.

Para ela, a tradicional expressão Viracopos deveria acompanhar o nome do músico. "Seria mais justo manter a expressão Viracopos. Ficaria: Aeroporto Internacional de Viracopos Maestro Carlos Gomes", sugeriu.

Abaixo-assinado
A campanha, segundo Denise, já está perto de alcançar 10 mil assinaturas. Ela montou uma banca no Largo do Rosário, no centro da cidade, por onde passam milhares de pessoas todos os dias. Um livro de assinaturas também circula entre torcedores do Guarani Futebol Clube. O time surgiu na praça Carlos Gomes e ganhou o nome da obra mais conhecida do compositor.

Denise pretende ir a Brasília até o fim de abril para levar o abaixo-assinado. Ela espera que os deputados arquivem o projeto para mudar o nome de Viracopos.

Autor de oito óperas
Filho de negro e índio, Antonio Carlos Gomes nasceu em Campinas em 1836 e morreu em Belém em 1896. Foi o primeiro brasileiro a se destacar com suas obras nos palcos da Europa. Deixou oito óperas completas e várias valsas, quadrinhas e polcas.

Em Campinas, Carlos Gomes dá nome a uma escola estadual, uma banda centenária, uma sala de teatro e a um bairro.

"Questão pessoal"
O deputado federal Nelson Marquezelli (PTB-SP) é o autor do Projeto de Lei 664/2011 que pede a supressão do termo Viracopos e a inclusão do nome do ex-governador Orestes Quércia, morto em dezembro aos 72 anos. Pelo projeto do petebista, Viracopos seria rebatizado de Aeroporto Internacional Governador Orestes Quércia.

Segundo a assessoria do deputado, Marquezelli quer fazer uma homenagem "por uma questão pessoal" a um amigo de grande relevância no cenário nacional.

Nascido em Pedregulho, interior de São Paulo, Quércia entrou na vida publica como líder estudantil em Campinas, depois se elegeu vereador, prefeito de Campinas, deputado estadual e senador. Empresário bem sucedido e presidente do PMDB, tentava uma vaga ao Senado federal no ano passado, mas teve de abandonar a disputa em razão de um câncer.

O projeto de lei começou a ser discutido em 3 de março, passando pelas comissões permanentes, e agora segue para o setor de distribuição. Ainda não há uma confirmação da data para entrar em votação.

Viracopos
O Aeroporto Internacional de Viracopos de Campinas completou 50 anos de atividade em 2010 quando bateu o recorde de 5 milhões de passageiros transportados no período e festejou a chegada de novas empresas aéreas. Em 2009, havia transportado 3,5 milhões de pessoas.

Nos últimos anos, o aeroporto passou a se firmar como o primeiro terminal de cargas em São Paulo para importação e exportação de produtos perecíveis, até artigos de maior valor agregado. Em 2010, retomou voos de passageiros com destino a Europa.

Segundo a Infraero, Viracopos está em fase de ampliação com um plano diretor arrojado que visa à construção de novas pistas para pouso e decolagens, aumento de áreas de embarques e check-in.

Fonte: Especial para Terra
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