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PA: em protesto com 5 mil, grupo tenta invadir prefeitura de Belém

26 jun 2013
23h36
atualizado às 23h36
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Cerca de cinco mil pessoas fizeram protesto tenso contra o preço da passagem de ônibus nesta quarta-feira em Belém, no Pará. Os mais alterados ameaçaram invadir a prefeitura e chegaram a forçar a grade que cerca o prédio. Até as 23h, não houve conflitos, mas sete pessoas foram detidas.

<p>Grupo ameaçou invadir a prefeitura e de Belém durante protesto. Manifestantes chegaram a forçar a grade que cerca o prédio</p>
Grupo ameaçou invadir a prefeitura e de Belém durante protesto. Manifestantes chegaram a forçar a grade que cerca o prédio
Foto: Filipe Faraon / Especial para Terra

A maioria dos detidos foi flagrada atirando bombas de festa junina na direção do prédio da prefeitura. Quando alguns balançaram as grades fazendo menção de invadir, o cordão de isolamento da policia foi reforçado. Mais de 800 agentes de segurança foram destacados para a missão.

A passeata foi semelhante à realizada na última segunda-feira: o mesmo trajeto, com saída no mesmo horário, às 18h. No começo, eram cerca de 800 pessoas; o número aumentou durante o trajeto à prefeitura, de mais ou menos 6 quilômetros.

O prefeito Zenaldo Coutinho esperou a chegada do movimento para negociar com uma comissão. Só que, em reunião prévia, os manifestantes haviam decidido que não haveria liderança formal e que ninguém seria representado por eles. Com o impasse, a maior parte do tempo foi com os ativistas em frente à sede da prefeitura gritando palavras de ordem contra temas variados como o valor da passagem de ônibus, corrupção, baixos salários dos professores e violência policial.

Muitos chegaram a gritar para que o prefeito fosse ao encontro dos manifestantes, mas essa opção nem foi cogitada, pois quando Zenaldo fez isso no protesto da última quinta-feira, várias pedras foram atiradas e um guarda municipal ficou ferido.

Sem reunião com o prefeito e sem atritos com a polícia, o ato foi perdendo força até que, por volta das 21h30, já havia mais policiais que manifestantes. Um outro protesto será marcado para a próxima segunda-feira. As reuniões prévias decidirão o trajeto e se existirá uma comissão para se reunir com o prefeito.

Protestos criticam a Copa e pedem melhores condições de vida pelo País

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado . Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia .

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos . Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo , Rio de Janeiro , Curitiba , Salvador , Fortaleza , Porto Alegre e Brasília .

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades , mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff , ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra

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