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ONG espalha manequins por Copacabana contra desaparecimentos

31 jul 2013 08h09
| atualizado às 08h38
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<p>Faixa indaga sobre o paradeiro de Amarildo, desaparecido na Rocinha em 14 de julho</p>
Faixa indaga sobre o paradeiro de Amarildo, desaparecido na Rocinha em 14 de julho
Foto: Rio de Paz / Twitter

A ONG Rio de Paz faz, na manhã desta quarta-feira, um protesto contra casos não esclarecidos de desaparecimento no Estado do Rio de Janeiro. O ato acontece na praia de Copacabana e cobra soluções de casos como o do pedreiro Amarildo, morador da Rocinha que desapareceu no dia 14 de julho, após ser abordado por policiais de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Dez manequins cobertos com tecidos brancos foram espalhados nas areias da praia, simbolizando os casos de desaparecimento registrados e não registrados em delegacia desde 2007.  Membros da ONG e parentes dos desaparecidos participam do ato, que será encerrado por volta de 10h30, com o enterro dos manequins, “simbolizando todos os que desapareceram e jamais voltarão para suas casas porque foram mortos e tiveram seus corpos enterrados em cemitérios clandestinos”, disse a ONG.

Em comunicado, a Rio de Paz cobra mais investigações em casos de desaparecimento. "É vergonhoso para o Estado do Rio de Janeiro que 35 mil pessoas tenham desaparecido desde 2007, além do grande número que não teve nem mesmo o registro do seu desaparecimento feito em delegacia, e não se tenha uma pesquisa séria para se saber quantos destes tiveram a vida interrompida pelo crime. É absolutamente certo que o número de homicídios é bem maior do que o que tem sido oficialmente divulgado”, dizia o texto.

Medo dos familiares
Por medo de represálias, familiares do pedreiro Amarildo foram colocados no programa de proteção a testemunhas. A decisão foi tomada pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), após receber os parentes do desaparecido.

A mulher de Amarildo, Elizabete Gomes da Silva, não acredita que o marido esteja vivo e disse que tem medo de continuar na Rocinha. "Tenho certeza de que meu marido está morto. Já procuramos em todos os lugares, e nada. Não recebi nenhuma ameaça, mas estou com medo de que, quando a poeira baixar, os policiais possam fazer uma maldade contra mim e minha família", disse ela

A 15ª Delegacia de Polícia (Gávea), que está investigando o caso, informou que os policiais que detiveram o pedreiro informaram que o haviam confundido com um traficante e levado para averiguação, mas que, logo depois, ele foi liberado. Amarildo não foi mais visto desde então. Entretanto, Elizabeth disse que o marido nasceu e se criou na comunidade e que todos o conheciam, inclusive policiais da UPP. "A gente os conhecia, dávamos bom dia, boa tarde. Eles (policiais) sempre passavam na minha porta, viam meu marido."

 

 

Fonte: Terra
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