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No 'país do futebol', Pelé vira alvo de protestos brasileiros, diz NYT

22 jun 2013
10h53
atualizado às 10h58
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Estátua de Pelé foi "amordaçada" em protesto em Minas Gerais
Foto: Facebook / Pressdigital

Comumente referido como o "país do futebol" e reconhecido internacionalmente como a nação mais bem sucedida no esporte bretão, o Brasil enfrenta uma onda de protestos populares disposta a mudar esse conceito. Em meio à realização da Copa das Confederações, o gasto excessivo de recursos públicos na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014, diante de serviços públicos de baixa qualidade, faz com que até mesmo ídolos como Pelé e Ronaldo Nazário se transformem em alvos da indignação popular, como relatou na sexta-feira o jornal americano The New York Times.

Protesto contra aumento das passagens toma as ruas do País; veja fotos

"De forma inesperada, a obsessão do Brasil com o futebol se tornou um símbolo crescente do que aflige o País. Desde que os grandes protestos se espalharam pelo Brasil nesta semana, manifestantes tomaram as ruas às centenas de milhares para expor a sua indignação contra líderes políticos de todas as legendas, sob o reinado da corrupção, que prejudicam os serviços públicos", afirma o jornal.

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De acordo com o NYT, os bilhões de dólares investidos nos estádios brasileiros motivaram boa parte da população a sugerir o que até pouco tempo atrás parecia impensável: boicotar a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. "Em uma demonstração de como o País está virado de cabeça para baixo, até mesmo alguns dos heróis do futebol brasileiro se tornaram alvos de críticas por distanciarem-se do movimento popular", atesta o jornal, que cita a fala da estudante universitária Gabriela Costa, 24 anos. "Pelé e Ronaldo estão ganhando dinheiro com a Copa e seus contratos de publicidade, mas e o resto do País?", questiona a manifestante.

A reportagem lembra que boa parte da indignação contra as duas personalidades reside em declarações recentes de ambos que minimizavam os anseios populares em detrimento do evento esportivo. Em vídeo que circula nas redes sociais, diz o jornal, Pelé pedia que os brasileiros "esquecessem os protestos" e focassem no futebol, enquanto Ronaldo aparecia em outra gravação analisando que Copas do Mundo são realizadas "com estádios, e não hospitais".

Segundo o jornal, mesmo o fato de a FIFA ter feito um pronunciamento declarando "total confiança" na habilidade do Brasil de garantir a segurança na Copa do Mundo 2014, descartando qualquer possibilidade de cancelar o evento ou mesmo a Copa das Confederações, foi motivo de constrangimento para o governo brasileiro, que fez grandes esforços para trazer as duas competições, além das Olimpíadas de 2016, ao País. "Agora, em vez de serem o ápice do crescimento Brasileiro, os eventos - e os enormes gastos necessários para sediá-los - se tornaram alvo dos manifestantes para mostrar como as prioridades do governo estão fora de sincronia com as necessidades do povo", analisa o New York Times.

O jornal lembra que a onda de protestos não poupa nem mesmo Neymar, a grande estrela contemporânea do futebol brasileiro. "Brasil, vamos acordar, um professor vale mais que o Neymar!", gritaram milhares de manifestantes nesta semana em frente ao estádio do Castelão, em Fortaleza (CE).

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Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

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O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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