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"Não temos como controlar", diz integrante do Movimento Passe Livre

12 jun 2013
10h24
atualizado às 12h14
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Em nova manifestação na noite de terça-feira contra o aumento na tarifa do transporte público na capital paulista, manifestantes quebraram portas de agências bancárias, picharam ônibus, muros e monumentos e incendiaram lixeiras. A atitude não é incentivada pelo Movimento Passe Livre (MPL), garante Caio Martins, um dos integrantes do grupo. "A gente não tem como controlar isso. A polícia não deve reprimir ( o protesto ) como tem feito porque isso aumenta a violência. O que houve foi uma tentativa da polícia de desobstruir a via, mas depois que estoura bomba, o negócio não tem como controlar", explicou.

<p>Manifestantes também fizeram barricadas na rua durante protesto desta terça-feira</p>
Manifestantes também fizeram barricadas na rua durante protesto desta terça-feira
Foto: Bruno Santos / Terra

Segundo Martins, a manifestação ontem à noite ocorria tranquilamente até chegar ao Terminal Parque Dom Pedro, no centro de São Paulo. "Foi onde fomos violentamente atacados pela polícia e o grupo se dispersou em quatro e começou a quebradeira geral. O pessoal se reagrupou e foi para a Paulista", recordou. A Polícia Militar justifica que fez uma linha de impedimento após receber informações que manifestantes iriam incendiar ônibus.

Na opinião do integrante do MPL, a única forma de acabar com essas manifestações é com a redução do valor da tarifa. Martins estima que cerca de 12 mil pessoas participaram do protesto. "O clima que a gente está é de revolta. O movimento é contra o aumento e cresceu, está acumulando mais força e não vai sair da rua enquanto a tarifa não baixar", avisou.

O Movimento Passe Livre, que reivindica também isenção de tarifa para os estudantes secundaristas e universitários, e melhores condições para o transporte público em São Paulo, organiza um novo protesto para a quinta-feira, no Anhangabaú. A concentração será às 17h, em frente ao Theatro Municipal. "Acho que vai ser ainda maior. Espero que as cenas de ontem não se repitam e que a gente consiga uma resposta do poder público", disse.

De acordo com Martins, ainda ontem o MPL protocolou uma carta na prefeitura solicitando uma reunião com a prefeita em exercício, Nádia Campeão (PCdoB), sobre a revogação do aumento. "Não tivemos resposta até agora", justificou.

Na tarde desta quarta, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) fará uma reunião entre o governo e as organizações civis contrárias ao aumento da tarifa. O integrante do MPL, no entanto, disse que a entidade, até o início da manhã, não havia sido comunicada do encontro pelo órgão.

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Protesto dura cerca de seis horas
Após quase seis horas do início do protesto contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô na capital paulista, foram registrados pelo menos 20 prisões de manifestantes e três casos de policiais militares feridos por pedras. A informação é do tenente-coronel Marcelo Pignatari, que comandou o policiamento que acompanhou os manifestantes, e disse ainda que os detidos foram encaminhados ao 78º Distrito Policial (Jardins).

A manifestação começou de maneira pacífica, mas os primeiros tumultos começaram logo no início da passeata, na rua da Consolação, onde um jovem ciclista foi detido ao trafegar na única faixa liberada na via. A partir daí, o clima continuou tenso, com novos episódios de confronto entre manifestantes e policiais militares.

A situação se agravou, porém, em frente ao terminal de ônibus Parque Dom Pedro. Após cerca de 20 minutos concentrados em frente ao local, um grupo de jovens tentou levar a passeata ao local, entregando flores aos policiais, mas foi impedida pela PM, que disparou bombas de gás lacrimogênio e tiros de bala de borracha.

A PM não soube informar quantos manifestantes ficaram feridos, mas a reportagem presenciou vários jovens sendo atingidos por cassetetes e balas de borracha disparados pelos policiais. Pelo menos dois manifestantes ficaram feridos após serem atropelados por um motorista, que dirigia um Fiat Uno, que se irritou com a manifestação e atirou o carro contra os jovens - um homem e uma mulher, que não se feriram com gravidade.

Segundo os organizadores, o objetivo da manifestação era "parar o País para serem escutados em Paris", em referência à cidade para onde o prefeito, Fernando Haddad (PT), e o governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), foram para defender a candidatura da cidade para ser sede da Expo2020. No início do protesto, muitos passageiros de ônibus demonstraram apoio à passeata, aplaudindo a manifestação. Entretanto, a pichação dos veículos - muitos ônibus - e de prédios públicos foi reprovada por muitas pessoas que assistiam ao protesto.

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Confrontos
O protesto foi marcado por confrontos entre os manifestantes e policiais militares. Um grupo usou lixeiras e pedras para destruir vidraças de agências bancárias. Na rua Silveira Martins, o diretório do PT também foi apedrejado.

A Tropa de Choque da PM usou bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes, após o confronto no terminal de ônibus do parque Dom Pedro. Com isso, grande parte dos participantes do ato subiu para a avenida Paulista.

A manifestação teve início, no fim da tarde, com uma concentração no fim da Paulista. Depois saiu em passeata pela rua da Consolação. Em seguida, os participantes bloquearam completamente a Radial Leste, pegaram a avenida Liberdade, passando pela praça da Sé. Na avenida Rangel Pestana, um pequeno grupo apedrejou e queimou um ônibus elétrico que estava estacionado. No parque Dom Pedro, eles foram impedidos pela polícia de entrar no terminal de ônibus.

Aumento da tarifa
As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Desde o dia 6, a cidade vem enfrentando protestos.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. O decreto foi publicado , mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

Terra

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