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28 de junho de 2013 • 17h24 • atualizado às 17h34

Moradores da Rocinha fazem comissão para fiscalizar obras do PAC

Grupo terá canal direto com o governo estadual para apresentar desarranjos no andamento das obras

Reunião foi marcada após 2,5 mil pessoas caminharem na última terça-feira da comunidade até o Leblon, na porta da casa de Cabral
Foto: Divulgação
  • Cirilo Junior
    Direto do Rio de Janeiro
 

Moradores da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, vão formar uma comissão para fiscalizar o andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na comunidade. A medida foi definida em reunião feita pelo governador do Estado, Sérgio Cabral, e representantes da localidade, situada em São Conrado, na zona sul da capital fluminense. Cinco moradores integrarão o grupo que, segundo o que foi acordado, terá canal direto com o governo estadual para apresentar possíveis desarranjos no andamento das obras.

Protestos por mudanças sociais levam milhares às ruas
Manifestações tomam as ruas do País; veja fotos

A reunião foi marcada depois que cerca de 2,5 mil pessoas, grande parte de moradores da Rocinha, caminharam na última terça-feira da comunidade até o Leblon, na porta da casa de Cabral. A passeata reivindicava saneamento básico, agilidade em obras que já estão sendo executadas e melhorias em equipamentos de saúde e de educação na Rocinha. “A reunião foi muito positiva. O governador escutou nossos pedidos, e nos passou prazos para atender nossas demandas”, afirmou a estudante Érica Santos, 21 anos, uma das líderes do movimento.

Ela disse que Cabral explicou que algumas áreas da Rocinha carentes de saneamento, como as localidades conhecidas como Valão e Roupa Suja, receberão melhorias nesse quesito. A previsão passada é que as obras serão entregues até 30 de maio do ano que vem. "Eles vão atender nossas demandas”, pontuou Érica, que pediu ainda que Cabral interceda para que um canal de comunicação seja estabelecido com a prefeitura.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.