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MG: ocupação chega ao 4º dia e manifestantes pedem diálogo ao prefeito

2 jul 2013
20h03
atualizado às 20h09
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Sem ainda uma oportunidade de conversar com o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), sobre as reinvindicações para a cidade, os manifestantes da Assembleia Popular Horizontal que ocupam há quatro dias a Câmara Municipal da capital mineira divulgaram na tarde desta terça-feira uma carta onde afirmam que esperam a chance de uma conversa.

Manifestantes ocupam a Câmara Municipal de Belo Horizonte a quatro dias, e pedem diálogo com o prefeito da cidade, Márcio Lacerda (PSB)
Manifestantes ocupam a Câmara Municipal de Belo Horizonte a quatro dias, e pedem diálogo com o prefeito da cidade, Márcio Lacerda (PSB)
Foto: Assembleia Popular Horizontal / Divulgação

Na publicação, os ocupantes deixam claro que repudiam as últimas atitudes do político e afirmam que estão na espera de uma posição da prefeitura. “Desde o início de nossa ocupação reivindicamos o diálogo com o prefeito Marcio Lacerda para tratar a pauta de transporte coletivo municipal.”

“Reforça-se que, até o momento desta declaração, não foi entregue aos manifestantes qualquer comunicado oficial de convocação de reunião, em contrassenso às informações repassadas pela prefeitura em coletiva de imprensa realizada no dia 1º de julho. Essa atitude do prefeito em não negociar vai à contramão do atual momento percebido em outras capitais do País, em que os manifestantes estão sendo recebidos e suas reivindicações atendidas.”

O grupo ainda afirmou que a ocupação da Câmara Municipal permanecerá até que o diálogo com o prefeito seja estabelecido. “A desocupação da Câmara Municipal como condição para um diálogo não é validada pelos integrantes da Assembleia Popular Horizontal. Portanto, a ocupação será mantida até que o encontro direto com o representante do poder Executivo municipal seja realizado”, finalizou o texto.

Uma assembleia do grupo foi marcada para a noite desta terça-feira, quando uma nova pauta de reivindicações será criada. O grupo informou ainda que 10 pessoas foram escolhidas e serão os porta-vozes.

Ainda sem conversar com os manifestantes, o prefeito de Belo Horizonte esteve nesta terça-feira em Brasília, onde participou de uma reunião com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) onde foi discutida a questão das reduções de tarifas e as melhorias do transporte coletivo.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

<a data-cke-saved-href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm" href="http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/tarifas-de-onibus/iframe.htm">veja o infográfico</a>
Fonte: Especial para Terra
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