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Meu projeto me ajudou a ter coragem, diz homem que ficou nu

10 nov 2014
17h46
atualizado às 18h26
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Apesar de mais de 3 mil pessoas terem confirmado presença no evento Corrida Pelada na Carlos Gomes, pouco mais de uma dezena compareceu ao evento de domingo, criado no Facebook após pelo menos duas mulheres terem sido vistas correndo nuas pelas ruas de Porto Alegre. O único que resolveu abdicar das vestes em público foi o gerente de projetos de tecnologia Aldo Lammel, dizendo que “nunca tinha ficado nu em publico”.

Aldo Lammel durante o evento de domingo
Aldo Lammel durante o evento de domingo
Foto: Mochila e Bike / Divulgação
<p>Aldo Lammel diz que sua causa o ajudou a ficar nu em público</p>
Aldo Lammel diz que sua causa o ajudou a ficar nu em público
Foto: Divulgação

“Se alguém falar que é fácil ficar nu em público, essa pessoa provavelmente é uma exibicionista nata, não que eu esteja descartando que eu mesmo ao fazer isso não seja um exibicionista... mas foi bem difícil. Como eu tenho um projeto sócio cultural envolvendo esse protesto, o projeto me ajudou a ter coragem. E depois que eu fiz foi respirar fundo e... foi bem natural, acabou se tornando mais simples a medida que eu fui tirando a roupa, antes é que teve uma parte psicológica mais pesada”, conta Lammel.

Ele diz que estava em a casa, na internet, quando recebeu de uma amiga o link para o evento e resolveu aderir ao movimento, “já sai de casa sabendo que ia ficar nu”, em prol de seu projeto.

Uma mulher é flagrada correndo nua nas ruas de Porto Alegre, RS, a poucos metros do Palácio Piratini, horas antes da " Corrida Pelada" marcada pelas redes sociais
Uma mulher é flagrada correndo nua nas ruas de Porto Alegre, RS, a poucos metros do Palácio Piratini, horas antes da " Corrida Pelada" marcada pelas redes sociais
Foto: Fernando Teixeira / Futura Press

O projeto ao qual ele se refere é o de dar uma volta ao mundo de bicicleta contando a história de pessoas de atitude que lutam para ajudar os outros, chamado Atitudes Mundo a Fora. O projeto está em fase de captação de recursos por meio de financiamento coletivo no Catarse .

Outro foco de seu protesto, segundo Lammel, foi expor a fragilidade do ciclismo nas capitais. “Todos os dias lemos notícias de ciclistas atropelados, mas assim como alguns motoristas, também existem ciclistas irresponsáveis”, diz, reclamando ainda da falta de estrutura para as pessoas que resolvem usar a bicicleta como meio de transporte no dia a dia.

Indagado sobre a possibilidade de algum tipo concepção moralista da sociedade estar incentivando a nudez pública na capital gaúcha, Lammel afirma que como seres humanos “somos naturalmente hipócritas. É normal defender publicamente uma coisa e no nosso intimo seguir outra”, diz, completando que respeita quem tem os seus motivos para criticar a nudez pública.

<p>Página do evento que reuniu mais de 3 mil confirmados</p>
Página do evento que reuniu mais de 3 mil confirmados
Foto: Facebook / Reprodução

No evento de domingo, no qual Lammel ficou nu, nem o organizador do evento fez o mesmo. “Não contrario os poucos que foram e que não ficaram nus, embora estivessem lá para isso. Eu os entendo, pois também não fiquei nu. Havia um batalhão de jornalistas e fotógrafos. Ninguém quer ser o rosto do evento. Nem eu. Poucos sabem lidar com toda essa exposição”, disse o criador do evento em uma postagem na rede social.

Casos de nudez em público

O primeiro caso de nudez pública recente ocorreu na quinta-feira da semana retrasada. Enquanto corria no Parque Moinhos de Ventos (Parcão), uma jovem loira e de olhos claros foi se despindo conforme avançava. Inicialmente, pelo aspecto da mulher, os populares pensavam que se tratava de uma europeia que tivesse achado natural despir-se em parque. A PM foi acionada, a corredora foi detida e encaminhada para receber atendimento médico. Segundo os policiais que atenderam a ocorrência, ela apresentava confusão mental, não dizia coisa com coisa, nem sequer sabia informar o próprio nome. Neste caso, a equipe médica que a atendeu não identificou problemas mais graves. A nudez teria sido uma tentativa de se manifestar.

Uma semana depois, na quinta-feira passada, uma mulher foi vista caminhando nua pela Terceira Perimetral, movimentada via de Porto Alegre. Abordada por um repórter da RBS, afiliada da TV Globo na região, ela afirmou ser ex-lutadora de MMA. "Isso é um desabafo para mostrar que sou MMA. Eu era lutadora. No MMA, eu tinha oportunidade de revidar, porque eu estou preparada para estar lá. Eu sei o que vai vir pela frente. Agora, eu não tenho a mínima condição de contar com o meu governo. Sem segurança, sem alimento, sem moradia. Então, eu queria fazer um protesto à presidenta Dilma", completou a atleta, que foi abordada pela Brigada Militar (PM gaúcha) e encaminhada para atendimento médico.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ela já tinha apresentado problemas mentais, foi medicada e a equipe tenta contato com a família. Entretanto, no Facebook ela recebe mensagens de apoio de amigos e tem divulgado matérias publicadas pela mídia sobre o que aconteceu.

Na tarde de domingo, uma terceira mulher foi fotografada correndo nua em público, no centro da cidade nos arreadores do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Trajando apenas tênis, óculos escuros e boné a “atleta” desceu a rua como sem se incomodar com quem viu a cena. Ela ainda não foi identificada.

Fonte: Terra
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