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Médicos fazem protesto no Rio e no DF contra a vinda de colegas estrangeiros

28 jun 2013
22h49
atualizado em 1/7/2013 às 12h56
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Centenas de médicos saíram as ruas nesta sexta-feira no Rio de Janeiro e em Brasília para protestar contra a vinda de profissionais estrangeiros para o Brasil sem a revalidação do diploma. Na capital federal, cerca de 350 médicos se concentraram no começo da Asa Sul, próximo ao centro da capital federal, e percorreram a Esplanada dos Ministérios pelo Eixo Monumental, tendo o Palácio do Planalto como destino final.

De jaleco, centenas de médicos protestaram em Brasília nesta sexta-feira
De jaleco, centenas de médicos protestaram em Brasília nesta sexta-feira
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Para Iran Cardoso, presidente do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRMDF), que organizou o protesto com a Associação Brasiliense de Médicos Residentes, o que falta é estrutura para a saúde pública e não médicos. “Não precisamos trazer ninguém de fora, precisamos é de leitos, medicamentos, uma estrutura mínima e uma carreira médica que atraia os profissionais brasileiros”, disse Cardoso.

A categoria ressalta que não é contra a atuação de médicos estrangeiros no Brasil, desde que eles façam o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, o Revalida, que é elaborado pelo Ministério da Educação.

No meio da caminhada, os manifestantes pararam em frente ao Ministério da Saúde, onde pediram a saída do ministro Alexandre Padilha. Depois, os médicos seguiram para o Palácio do Planalto, onde muitos deitaram no chão, mostrando, segundo eles, onde está a saúde pública brasileira. O presidente do CRMDF conversou com um assessor representante da secretaria-geral do Planalto, que pediu que a categoria elaborasse um documento com as reivindicações para entregar à presidente Dilma Rousseff.

Na avaliação de Paula Lima, residente de ginecologia, a vinda de médicos estrangeiros é uma medida que pretende enganar a população. “Médico não é mágico, sem estrutura podemos fazer muito pouco”, disse Paula. A maioria dos protestantes eram médicos residentes, pois, segundo Paula, esta parcela da categoria é a mais prejudicada, pois é quem sente a falta de estrutura no interior do País.

Em protesto, os médicos do Distrito Federal cancelaram cerca de 3 mil consultas médicas marcadas para hoje. Além disso, várias entidades médicas, entre elas o Conselho Federal de Medicina, estão organizando o Dia Nacional de Mobilização contra a Importação de Médicos Formados Fora do Brasil sem a Revalidação do Diploma, marcada para o dia 3 de julho, quando vai haver paralisação da categoria.

Protesto no Rio também leva médicos às ruas
No Rio, médicos fluminenses também protestaram contra as precárias condições de infraestrutura dos hospitais, os baixos salários e a contratação de profissionais estrangeiros para atuar no interior do Brasil. Eles saíram em passeata da frente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj), em Botafogo, e percorreram algumas ruas do bairro. O protesto foi pacífico, e os manifestantes vestiam jalecos brancos.

O secretário-geral e coordenador da Comissão de Saúde Pública do Cremerj, Pablo Vasquez, defendeu a revalidação do diploma dos médicos estrangeiros que venham trabalhar no Brasil. “Quando nós, médicos, vamos atuar no exterior, temos que passar por essa revalidação, a fim de saber se estamos aptos para exercer a profissão ou não. Também queremos avaliar os estrangeiros. Se eles falam português, como é sua comunicação com os pacientes e com os outros profissionais de saúde, entre outras questões. Tudo isso é fundamental para assegurar a qualidade do atendimento”, disse.

O conselheiro do Cremerj e vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá, criticou a contratação de médicos estrangeiros e cobrou do governo mais investimento na área de saúde a fim de melhorar as condições de trabalho, de salário e de atendimento.

“Fixar um profissional quando as condições são adversas só ocorre por meio de melhores salários e de uma infraestrutura adequada. Por isso, defendemos, também, que 10% do PIB (Produto Interno Bruto) sejam destinados para a saúde. Com maior investimento, o problema de saúde pública será resolvido, porque médicos não faltam. O recrutamento de médicos estrangeiros é uma vergonha nacional. Uma demonstração da falência da saúde pública no Brasil”, declarou. Uma nova manifestação está prevista para a próxima quarta-feira, às 10h, na Cinelândia, no centro do Rio.

 

Colaborou com esta notícia a internauta Ana Luzia, do Rio de Janeiro (RJ), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Agência Brasil Agência Brasil
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