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Marcha da Maconha reúne 500 manifestantes nas ruas do Rio

7 mai 2011
18h05
atualizado às 20h35

Centenas de pessoas participaram na tarde deste sábado da Marcha da Maconha, na zona sul do Rio. Os manifestantes saíram do Leblon e percorreram a orla até o Arpoador, em Ipanema. A organização chegou a divulgar a estimativa de que 5 mil pessoas, a maioria jovens, haviam participado da marcha, mas o número confirmado pelas autoridades foi de 500. Os manifestantes reivindicam a legalização da maconha e um debate mais amplo sobre a política de drogas.

Cerca de 500 pessoas, a maioria jovens, participaram da Marcha da Maconha, na zona sul do Rio
Cerca de 500 pessoas, a maioria jovens, participaram da Marcha da Maconha, na zona sul do Rio
Foto: Alessandro Buzas / Futura Press

Para o sociólogo Renato Cinco, um dos organizadores do movimento, a finalidade da marcha é "regulamentar o mercado da maconha", desde a produção até a comercialização e o uso. "Não só o uso recreativo como o uso medicinal, o uso industrial, o uso religioso. Nós queremos a regulamentação de todo esse mercado para que a proibição da maconha deixe de ser mais um fator que alimenta a violência na nossa sociedade."

Ele admite, no entanto, que o Congresso Nacional dificilmente aprovaria qualquer mudança nesse sentido uma vez que a maioria da sociedade ainda é contrária à liberalização da maconha. "A estratégia do nosso movimento hoje não é pressionar o Congresso, mas debater com a sociedade", disse o sociólogo.

O líder da Banda Detonautas, Tico Santa Cruz, disse que apoia a manifestação porque acredita que os artistas também têm responsabilidade no debate sobre a descriminalização da maconha. "Eu acho que é muita hipocrisia as pessoas continuarem discutindo com preconceito. Acho que uma sociedade tabagista e alcoólatra não têm moral para ter preconceito contra um debate tão sério quanto esse. E para finalizar o que eu penso: quem é contra a legalização é a favor do tráfico."

A diretora da World Federation Against Drugs e presidente da entidade Brasileiros Humanitários em Ação (Braha), Mina Carakushasnky, especialista em prevenção ao uso de drogas, disse que a toxicidade da maconha está bem estabelecida experimentalmente e clinicamente. "A droga afeta o sistema nervoso central, o pulmão, a imunidade e a função reprodutiva", disse.

Mina afirma que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas. "Pessoas que usam maconha não usam necessariamente outras drogas, mas todas as que usam cocaína, heroína, ecstasy, crack, começaram usando maconha", afirmou.

A Marcha da Maconha foi autorizada pela Justiça estadual pelo terceiro ano consecutivo. Em 2008, a manifestação foi proibida. O advogado do movimento, André Barros, conseguiu um habeas corpus para que ninguém fosse preso durante a manifestação de hoje. "A Constituição Federal garante o direito à liberdade de pensamento, opinião e expressão e, para exercer esse direito, a Constituição também garante o direito de reunião. Nós estamos aqui lutando contra esse atraso da humanidade que é proibir a maconha, que inclusive é remédio para diversos tipos de doença" afirmou.

Agência Brasil Agência Brasil
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