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Manifestantes que ocupavam Câmara de Campinas são retirados pela PM

8 ago 2013
08h24
atualizado às 08h26
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Policiais da Tropa de Choque da Polícia Militar retiraram os mais de 100 manifestantes que invadiram, no começo da noite de quarta-feira, o prédio da Câmara de Vereadores de Campinas (SP), a 100 quilômetros da capital paulista. Foram necessários dois ônibus para levar todos para o 4º Distrito Policial. Eles foram detidos, ouvidos pelas autoridades e liberados. A evacuação do Legislativo seguiu pela madrugada desta quinta-feira.

<p>Manifestantes haviam ocupado a Câmada Municipal de Campinas (SP)</p>
Manifestantes haviam ocupado a Câmada Municipal de Campinas (SP)
Foto: Bruno Dias / Futura Press

Os manifestantes, a maioria formada por estudantes, foram retirados à força um a um, puxados pelos braços e colocados dentro dos coletivos. Alguns resistiram se sentando no chão, mas foram encaminhados para fora do plenário. Não houve uso de bombas de gás e balas de borracha. Ninguém saiu ferido.

A Policia Militar foi acionada pelo presidente da Câmara, Campos Filho (DEM), que classificou os manifestantes de "irresponsáveis". Na invasão, os manifestantes quebraram cadeiras, poltronas e mesas usadas pelos vereadores. Paredes e móveis foram pichados. e o plenário tem foi deixado cheio de sujeira.

O grupo ficou no prédio por cerca de quatro horas. Com a chegada deles, a sessão ordinária dos vereadores foi suspensa, e os parlamentares se refugiaram nos fundos do prédio.

Ainda na madrugada, depois que todos deixaram o local, uma equipe do Instituto de Criminalista realizou uma perícia e deve expedir em 30 dias um laudo sobre os estragos.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Especial para Terra
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