Cidades

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12 de setembro de 2012 • 07h44

Jogo de empurra-empurra deixa população sem água em Manaus

Homem carrega baldes com água coletada em uma das unidades do Proama
Foto: Nonato Duarte Agecom / Divulgação
 

Daniel Favero

Apesar de estar localizada na maior bacia hidrográfica do mundo, aproximadamente 100 mil habitantes de Manaus (AM) sofrem diariamente com o desabastecimento de água. O problema, ou a maior parte dele, poderia ter solução se um impasse entre a prefeitura e o governo do Estado não inviabilizasse o uso da estrutura do Programa Água para Manaus (Proama) de R$ 333 milhões, que está parado pela falta de acordo.

Segundo Alexandre Bianchini, diretor-presidente da Manaus Ambiental, concessionária responsável pelo abastecimento de água na cidade, 5% da população não tem fornecimento contínuo de água. A situação é pior na zona leste, região carente da cidade. Um estudo feito pelo Instituto Trata Brasil nas 100 maiores cidades brasileiras apontou que Manaus está em 82º lugar do ranking do abastecimento de água e coleta de esgoto.

As autoridades responsáveis protagonizam um verdadeiro empurra-empurra sobre a questão. O governo do Estado diz que o Proama ainda não foi interligado à rede por falta de acordo entre a prefeitura e a concessionária. Já a empresa diz que o município e Estado não entram em acordo. A prefeitura não se pronuncia, apenas por meio do prefeito, Amazonino Mendes (PDT), que passa por tratamento de saúde em São Paulo, e não pode falar.

Essa falta de acordo, no entanto, pode ter relação com o cenário eleitoral em Manaus. O grupo político do atual governador, Omar Aziz (PSD), apóia a candidatura de Vanessa Grazziotin (PCdoB) à prefeitura. Ela está sem segundo lugar nas pesquisas, atrás de Arthur Virgílio (PSDB), que é apoiado pelo atual prefeito, Amazonino Mendes (PDT), que não tentará a reeleição.

O diretor presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini, nega que haja qualquer problema com a prefeitura. "A hora que a prefeitura e o governo resolverem os impasses e as questões burocráticas para agregar o Proama ao município, nós como operadores, em um minuto, ativamos o Proama (...)para ser interligado ao sistema atual necessita de investimentos de R$ 30 milhões, que nós estamos nos dispondo a fazer (...) O quem tem para ser resolvido é entre a prefeitura e o governo do Estado, a concessionária está aqui no minuto seguinte operar o Proama", diz.

A Manaus Ambiental atua na cidade há quatro meses. Eles assumiram o controle acionário da antiga empresa, a Águas do Amazonas, após falta de acordo sobre investimentos e não cumprimento de metas estabelecidas ainda na privatização, em 2001. Essa mudança está sendo contestada pelo Ministério Público, que alega falta de publicidade na troca.

Água de graça
Enquanto a prefeitura e o governo não entram em acordo, o Executivo estadual ordenou a distribuição gratuita de água nas estações do Proama, dias depois da candidata comunista ter feito propaganda sobre a oferta de água. A suposta relação eleitoral da propaganda está sendo investigado pela promotoria eleitoral, sob responsabilidade do procurador Edmilson Barreiros.

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