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Índios se mudam de antigo museu, mas prometem luta: 'Não somos invasores'

Índios protestaram contra a força usada pela polícia durante a retirada deles do prédio

22 mar 2013
16h41
atualizado às 16h56
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Depois da conturbada retirada dos indígenas e simpatizantes do antigo prédio do Museu do Índio, o panorama é tranquilo nos arredores do local, na tarde desta sexta-feira. Policiais militares do 4º Batalhão (São Cristóvão) e homens do Batalhão de Choque vigiam e cercam o local, enquanto alguns índios retiram pertences, que serão levados, especialmente, para uma área em Jacarepaguá, onde foi feita a promessa de que se instalem. Engenheiros da Empresa de Obras Públicas (Emop) já vistoriavam o prédio, para preparar o local para uma reforma.

<p>Índios protestam durante manifestação no Museu do Índio no Rio de Janeiro. </p>
Índios protestam durante manifestação no Museu do Índio no Rio de Janeiro.
Foto: Sergio Moraes / Reuters

Inconformado com a saída forçada do terreno, o índio de origem Arauaqui, Micael Oliveira, disse que vai continuar lutando para que o local preserve a memória indígena, apesar dos planos de transformação do prédio em um museu olímpico. Segundo ele, alguns índios pretendem ficar nos arredores do terreno, além de fazer uma série de protestos contra a decisão do governo estadual. O primeiro deles ocorre já nesta tarde, em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Um grupo de cerca de 50 manifestantes chegou a interditar o trânsito na rua Primeiro de Março, que já foi liberada novamente ao tráfego.

“Vamos continuar lutando. Estamos dentro dos nossos direitos. Esse prédio é um território ancestral. Sabemos da importância histórica desse prédio. Não somos invasores, somos defensores da nossa cultura”, afirmou o índio, que estuda História na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Oliveira disse considerar que os índios foram enganados por representantes do governo. Segundo ele, nada do que foi prometido aos indígenas foi assinado, além de a promessa de que não seria uma desocupação violenta foi descumprida.

“Bateram nos nossos parentes. Soltaram gás lacrimogênio na cara de criança de colo. Foi um absurdo. Somos pacíficos, lutamos por nossos direitos, pelo bem da humanidade e pela natureza”, observou.

Ele reclamou também que os policiais pegaram os arcos e as flechas dos indígenas, sob o pretexto de que eram armas brancas, e seriam encaminhadas à delegacia. “O que é isso? Nada mais é do que artesanato, somos pessoas de paz”, argumentou.

O índio classificou que o episódio é uma vergonha para seus ancestrais, e culpou o governador Sergio Cabral (PMDB) pelo desfecho violento da história. Segundo ele, a truculência policial é um reflexo dos atos do chefe do Executivo fluminense.

“Desejo tudo de bom ao governador Cabral. A conta dele será paga depois. A dívida dele com o Grande Espírito é alta”, comentou.

Fonte: Terra

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