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Imprensa estrangeira destaca truculência da polícia em protestos

Jornais e sites de diversos países ressaltaram 'clima de insegurança' antes de grandes eventos no País

14 jun 2013
17h24
atualizado às 20h20
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Na cobertura dos protestos no Brasil contra o aumento das passagens dos transportes públicos, a imprensa internacional destacou a truculência da polícia e chamou a atenção para o clima de insegurança que, com a proximidade dos grandes eventos a serem realizados no País, parece crescer.

A versão online do jornal americano The New York Times também observa que os protestos 'vêm numa época delicada', quando os líderes políticos estão tentando controlar problemas como aumento da inflação e desaceleração econômica e 'tentando promover o Brasil como um destino seguro e estável'
A versão online do jornal americano The New York Times também observa que os protestos 'vêm numa época delicada', quando os líderes políticos estão tentando controlar problemas como aumento da inflação e desaceleração econômica e 'tentando promover o Brasil como um destino seguro e estável'
Foto: Reprodução

Em matéria intitulada "Cenas de guerra numa nova noite de protestos", o jornal espanhol El País afirma que a polícia "perdeu o controle em São Paulo", onde as ruas se transformaram "num campo de batalha", na quarta manifestação seguida contra o aumento da tarifa de transporte público.

O artigo lembra que a polícia, que havia prometido reprimir duramente os manifestantes, "após vários episódios de vandalismo", "cumpriu sua palavra". O periódico diz ainda que a agressividade da polícia atingiu também jornalistas e ressalta que a imprensa brasileira, "em mãos de famílias da considerada elite", foi duramente criticada nas redes sociais por "chamar os manifestantes brasileiros de vândalos, enquanto qualifica os turcos de ativistas". Mas ressalva que os veículos mudaram sua postura inicial e "as manchetes desta sexta-feira são outras".

Batalhas nas ruas
Em reportagem intitulada "Batalhas nas ruas, por causa de sete centavos (de euro)", a versão online da revista alemã Der Spiegel afirma que os policiais atacaram com balas de borracha e gás lacrimogêneo, enquanto os manifestantes estavam armados de coquetéis molotov e facas nas manifestações na noite de quinta para sexta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro. A matéria lembra que os protestos foram liderados por estudantes, mas também por "agrupamentos dispostos à violência".

O prestigiado portal de notícias francês Rue89 também destacou no artigo "Corrupção e má gestão: São Paulo se inflama uma suposta parcialidade da imprensa brasileira ao lado da versão oficial", não hesitando em "caracterizar os manifestantes como vândalos" durante os primeiros dias dos protestos, além de sublinhar que "vídeos na internet tendem a provar que as autoridades não economizaram no uso da força".

O artigo comenta que, enquanto "o pequeno aumento ( de preço de passagens ) foi o estopim, agora toda a classe política municipal é o alvo do descontentamento popular" e que as críticas vão de "má gestão generalizada" a "corrupção".

Veja momento em que jornalista é preso por portar vinagre

O diário conservador espanhol El Mundo ressalta que mais de 190 pessoas foram detidas em "manifestações que se espalharam por outras cidades do Brasil e que "ocorrem a dois dias da Copa das Confederações".

Após descrever os tumultos em São Paulo, o texto volta a fazer uma relação direta com os grandes eventos a acontecerem no País, ao citar um manifestante no Rio de Janeiro, que reclama do "encarecimento da cidade", decorrente, na opinião dele, da postura de empresários e da administração pública para a promoção de megaeventos.

Inflação e criminalidade em alta
A agência francesa AFP sublinha que houve tumultos não só em São Paulo, mas também no Rio de Janeiro, "uma das seis cidades sedes da Copa das Confederações", onde 20 pessoas foram presas, lembrando que a onda de protestos ocorre quando "o Brasil se prepara para receber centenas de milhares de turistas estrangeiros para a Copa das Confederações e para a Copa do Mundo".

Já a agência britânica Reuters não só associa esses "crescentes tumultos" e o consequente "caos" provocado por eles com a aproximação dos grandes eventos no Brasil, como observa que tudo ocorre "numa época que a inflação, a criminalidade e a popularidade da presidente Dilma Rousseff estão mudando para pior".

A versão online do jornal americano The New York Times também observa, em reportagem de quinta-feira, que os protestos "vêm numa época delicada", quando os líderes políticos estão tentando controlar problemas como aumento da inflação e desaceleração econômica e "tentando promover o Brasil como um destino seguro e estável".

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em verdadeiros cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho , vários jornalistas que cobriam o protesto foram detidos, ameaçados ou agredidos.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho . A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011.

Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

Haddad, havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

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