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17 de janeiro de 2013 • 13h32 • atualizado às 14h51

Haddad quer ouvir povo para sobreviver a 'cemitério de políticos'

Haddad afirmou que é preciso vencer a "batalha da comunicação" com a cidade para não se tornar vítima do que ele classifica de "cemitério de políticos"
Foto: J. Duran Machfee / Futura Press

 

Em um discurso marcado pelo bom humor, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), admitiu dificuldades para o cumprimento das propostas e projetos que possam beneficiar a maior parte da população da capital, mas garantiu que as pessoas serão informadas e terão participação nas decisões mais importantes que vão guiar a cidade pelos próximos anos. Ele afirmou que é preciso vencer a "batalha da comunicação" com a cidade para não se tornar vítima do que ele classifica de "cemitério de políticos".
 
Haddad participou da divulgação dos Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (Irbem), que avaliam anualmente vários aspectos que impactam sobre a qualidade de vida dos moradores da capital. A pesquisa foi realizada pelo Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo. "Isso aqui é um cemitério de políticos. Primeiro pela complexidade e o desafio que ela (a cidade) representa. Na lista de esportes radicais, deveria estar o de prefeito de São Paulo", disse ele. Haddad afirmou que não há como fazer planejamento sem discutir as metas da administração com a sociedade. O prefeito entrega no fim de março o plano de metas de sua administração, que vai até 2016.
 
"Tenho compromissos de campanha e não vou esquecer o que falei. Pretendo anualmente fazer uma dicussão sob as metas de São Paulo, independentemente de seu andamento. O mínimo é explicar para a população sobre o que está acontecendo. Estamos identificando os gargalos que podem emperrar as metas. O plano que vai para a Câmara tem aderência com o que foi prometido durante a campanha", disse o prefeito.
 
De acordo com ele, para que as metas saiam do papel não bastam apenas os recursos, que ele diz já estarem faltando. "O nosso recurso de investimento por habitante é metade do que o Rio de Janeiro tem hoje. E quando falamos da máquina administrativa, não estamos falando de salário de servidor. Temos contratos bilionários e não há espaço para investimento. Teremos de trabalhar com estratégias com algum grau de liberdade no horizonte para discutir com a sociedade", afirmou.
 
Entre as estratégias para a obtenção de recursos para as necessidades da cidade de São Paulo, Haddad diz que vai procurar as parcerias público-público (com Estado e União), parcerias público-privadas e parcerias público-comunitárias. "Não podemos escolher uma única estratégia. O que eu sinto das pessoas é que elas sabem que as questões são difíceis. Eu tenho consciência de como a  cidade se encontra. Da expectativa que foi criada pelo nosso governo. Precisamos ganhar a batalha da comunicação. E para isso não é propaganda na TV, marketing. Mas nos comunicarmos com a sociedade", salientou.
 
Segundo ele, é necessário fazer chegar à população os constrangimentos que a administração está sofrendo. "Para tirar qualquer projeto do papel, é preciso passar por uma via sacra. Licença ambiental, juízes de primeira e segunda instâncias para desapropriações. Hoje a sensação na cidade é que tem uma negociata em todo o empreendimento. Uma desconfiança geral por mais meritosa que ela (a proposta) seja", disse. Ele ressaltou que o município está desaparelhado para dar respostas de forma eficiente e que, por isso, tempo precioso é perdido, mesmo que haja recursos para que o projeto seja levado adiante. "Precisa azeitar a máquina. Temos desafios difíceis de serem superados. Quantidade de moradias, corredores, equipamentos públicos. E nem sempre a máquina está preparada para isso", disse.
 
Pesquisa
O Irbem mostra que piorou, de modo geral, a percepção dos paulistanos em relação à qualidade de vida na cidade. Ao todo, apenas 38% disseram que a vida melhorou pouco - no ano anterior, esse percentual era de 44%. Mais da metade (56%) ainda afirmou que, se tivesse oportunidade, sairia de São Paulo - esse índice vem se mantendo estável. Ao todo, oito em cada 10 paulistanos estão insatisfeitos com a qualidade de vida na cidade, o maior índice pior desde 2009. Dos 169 itens avaliados, 28 receberam nota acima da média, dois deles estão na média e 139 ficaram abaixo da média, segundo a pesquisa.
 
Também diminuiu a satisfação dos paulistanos em relação à saúde. Um dos pontos mais críticos foi em relação ao tempo de espera para consultas e exames nos serviços públicos: para consultas, o tempo de espera passou de 52 para 66 dias; para exames, de 65 para 86 dias; para procedimentos mais complexos (internações e intervenções cirúrgicas), de 146 para 178 dias. O levantamento também mediu a satisfação com a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), sendo que 17% consideraram a administração municipal ótima ou boa; 48% a avaliaram como regular e 35% a consideraram ruim ou péssima. A Câmara Municipal também foi mal avaliada: 46% a avaliaram como ruim ou péssima, 39% como regular e apenas 11% como ótima ou boa.
 
O instituto ouviu 1.512 moradores de São Paulo entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2012. Ao todo, 58% dos entrevistados nasceram em São Paulo e, dos 42% que não nasceram, 82% moram há mais de 10 anos na cidade. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Terra