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Guarda Civil impede moradores de reconstruirem barracos em favela

19 set 2012
13h24
atualizado às 14h44

Cerca de 30 agentes da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo ocupam a Favela do Moinho desde a manhã desta quarta-feira. A comunidade, localizada na região central da capital paulista, foi atingida por um incêndio há dois dias, e os guardas estão impedindo os moradores de reconstruírem os barracos destruídos pelas chamas.

Prefeitura explica que o local é insalubre e as famílias atingidas foram cadastradas pela Assistência Social
Prefeitura explica que o local é insalubre e as famílias atingidas foram cadastradas pela Assistência Social
Foto: Adriano Lima / Terra

Veja todos os incêndios registrados em favelas de SP em 2012

A Secretaria de Segurança Urbana (SMSU) explica, porém, que a medida está sendo tomada porque essas famílias foram cadastradas pelas secretarias de Assistência Social e Habitação. Além disso, alega que o local é insalubre e está assegurando a integridade das pessoas. A prefeitura deve realocar os moradores, mas não afirmou para onde pretende levá-los. A ação também tem objetivo de favorecer os trabalhos de recuperação do viaduto e o fluxo normal dos trens. Cerca de 80 moradias foram afetadas e 320 moradores cadastrados.

A Assistência Social de São Paulo esteve na favela e entregou cestas básicas, colchões e kits de higiene. A secretaria diz que ofereceu abrigo nos albergues municipais, mas nenhuma família aceitou.

A Guarda Civil explica que negocia com as lideranças comunitárias para que essas pessoas não voltem a construir. Na terça-feira houve um princípio de manifestação dos moradores, que segundo a SMSU durou menos de 30 minutos e não houve registro de feridos.

Incêndio criminoso
Policiais do 77º DP, de Santa Cecília, prenderam na segunda-feira o suspeito de ter incendiado a favela do Moinho. Segundo a polícia, o travesti Fidelis Melo de Jesus, 37 anos, conhecido como Eliete, teve um desentendimento com seu namorado, Damião de Melo, 38 anos, no início da manhã.

Segundo a delegada Aline Martins Gonçalves, responsável pelo caso, os dois homens brigavam por problemas com drogas quando Eliete teria ateado fogo em uma camiseta com um isqueiro. "Ele (Eliete) negou a principio que tenha colocado fogo no barraco, mas quando indaguei por que não tinha lesão nenhuma, ele não soube explicar". Com a ajuda de um botijão de gás, Eliete conseguiu fazer com que o fogo atingisse seu companheiro, que morreu carbonizado.

"Na hora que derrubou o barraco as chamas se alastraram, até porque existe muita fiação precária naquele local", afirmou Aline. A vítima não conseguiu sair do barraco. Após ser reconhecido, Eliete foi preso em flagrante pela polícia no próprio PS. De acordo com a delegada, ele vai responder por homicídio qualificado e incêndio doloso, quando se tem intenção.

Foram enviadas 18 viaturas para combater as chamas e, após o controle dos focos de incêndio, foi iniciado o trabalho de rescaldo. A comunidade fica em um local de difícil acesso, entre as linhas usadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). As chamas destruíram 80 moradias e deixaram 300 pessoas desabrigadas em uma área de 2 mil m², segundo a Defesa Civil da cidade.

Em dezembro de 2011, a mesma favela foi atingida por um incêndio de grandes proporções, que deixou uma pessoa morta. Este é o 34º incêndio de grandes proporções registrado em favelas da capital paulista desde janeiro deste ano, o 68º contabilizado pelos bombeiros. Em 2008, o Corpo de Bombeiros registrou 130 ocorrências e, em 2009, 122. Já no ano de 2010, 91 incêndios foram combatidos, enquanto, em 2011, houve 79 casos registrados.

Fonte: Terra

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