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Grupo que ocupa a Câmara do Rio não participa de reunião com vereadores

Parlamentares se reúnem nesta segunda-feira para definir os rumos da CPI que investiga o transporte público na cidade

12 ago 2013
17h11
atualizado às 17h11
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Os manifestantes que permanecem ocupando o plenário da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro não participam da reunião dos parlamentares, que ocorre na tarde desta segunda-feira, para definir os rumos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, que vai investigar o transporte público rodoviário na capital fluminense. A previsão é que os trabalhos da comissão sejam iniciados amanhã.

<p>Comissão que investiga transporte público do Rio segue em impasse após ocupação da Câmara</p>
Comissão que investiga transporte público do Rio segue em impasse após ocupação da Câmara
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

A reunião corre a portas fechadas, e está na pauta a possível renúncia de alguns membros da CPI. Uma das principais reivindicações dos manifestantes é que vereadores que não assinaram o documento pela criação da CPI não integrem a comissão. Eles exigem a saída de membros da base do governo Eduardo Paes (PMDB), como os vereadores Jorginho da SOS e o relator, Professor Uóston. Ambos são do PMDB.

O grupo pede ainda a substituição de Chiquinho Brazão (PMDB) da presidência da CPI. Exigem que Eliomar Coelho (Psol) comande os trabalhos da CPI. Foi justamente o vereador do Psol quem propôs a criação da comissão, com o objetivo de investigar a "caixa-preta" das empresas que são responsáveis pelo transporte rodoviário no Rio.

Do lado de fora, um grupo de aproximadamente 50 manifestantes permanece na entrada do prédio. Com barracas, eles estão lá desde sexta-feira, em apoio às pouco mais de dez pessoas que se recusam a deixar o interior da Câmara. O vereador Jorge Felippe (PMDB), que preside a Casa Legislativa, não descarta autorizar a entrada da polícia para retirar o grupo, para que os trabalhos sejam retomados nesta terça-feira.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra

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