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18 de junho de 2013 • 18h38 • atualizado em 19 de Junho de 2013 às 03h04

Globo e Veja viram alvo de manifestantes em novo ato em SP

Repórteres da Globo foram cobrir a manifestação com microfones descaracterizados para evitar que fossem hostilizados

A prefeitura de São Paulo reforçou a segurança da Guarda Civil Metropolitana no novo protesto desta noite
Foto: Gabriela Biló / Futura Press
 

A revista Veja e a Rede Globo foram alvo de manifestações no começo da noite desta terça-feira, em mais um ato contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo. "Veja, Globo, o povo não é bobo", era um dos gritos entoados pelos manifestantes na Praça da Sé, na região central da capital.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Assim como no protesto de ontem, os repórteres da Globo foram acompanhar a marcha com seus microfones descaracterizados, numa tentativa de evitar que sejam hostilizados. No ato de segunda, no Largo da Batata, o jornalista Caco Barcelos e a equipe do Profissão Repórter foram expulsos do local por manifestantes com gritos de gritos de “Fora Globo” e “Central Globo de Mentiras”.

No começo do protesto de hoje, alguns manifestantes também carregavam cartazes contra a Globo, mas nenhuma agressão às equipes de jornalismo havia sido registrada.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra. Enquanto policiais usavam bombas e tiros de bala de borracha, manifestantes respondiam com pedras e rojões.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão opressiva da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Polícia impede manifestantes de chegarem à porta da TV GloboClique no link para iniciar o vídeo
Polícia impede manifestantes de chegarem à porta da TV Globo

Segundo a administração pública, em quatro dias de manifestações mais de 250 pessoas foram presas, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. No dia 13 de junho, bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

No dia seguinte ao protesto marcado pela violência, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) declarou que via "ações coordenadas" oportunistas no movimento, reiterou "a defesa do direito de ir e vir" da população, mas garantiu que não permitirá que os manifestantes prejudiquem a circulação de veículos e pessoas. No mesmo dia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou que a polícia deve ser investigada por abusos cometidos, mas não deixou de criticar a ação dos ativistas.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. "O reajuste abaixo da inflação é um esforço da prefeitura para não onerar em excesso os passageiros", disse em nota.

O prefeito da capital havia declarado que o reajuste poderia ser menor caso o Congresso aprovasse a desoneração do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o transporte público. A proposta foi aprovada, mas não houve manifestação da administração municipal sobre redução das tarifas.

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