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Frota de ônibus do Rio não atende à demanda, aponta levantamento

9 jul 2013
14h54
atualizado às 14h54
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Em agosto de 2012, 8,6 mil ônibus do serviço público do município do Rio de Janeiro transportavam 85 milhões de passageiros por mês. Em janeiro deste ano, a frota aumentou 1% e o número de passageiros ao mês 17%, ou seja, 90 unidades a mais. Conclusão: 8,69 mil veículos para atender quase 100 milhões de usuários. Este é um dos exemplos que evidenciam as queixas da população com os transportes na cidade confirmadas na mais recente pesquisa de percepção do Rio Como Vamos. 

Realizada de maio a junho deste ano pela M.Sense, com 1.521 moradores do município, os resultados mostram que, dos modais disponíveis na cidade, o ônibus é o mais utilizado por 54% dos cariocas e recebeu a pior avaliação: 50% dos entrevistados deram notas bem baixas, até quatro.

A pesquisa mostra que, entre as queixas dos cariocas, o preço das passagens ficou em quarto lugar, alcançando 25% dos entrevistados. As principais reclamações foram a superlotação (67%) - comum a todos modais -, a demora (32%), o tempo perdido no trânsito (27%), a falta de conforto (24%), a falta de educação dos motoristas (19%) e o mau estado dos veículos (16%).

Vale lembrar que, dos 33% entrevistados que atribuíram piora na locomoção no último ano, 34% utilizam o ônibus como transporte. Dos 48% usuários de veículo particular, 52% declararam que deixariam o carro em casa se tivessem melhores opções de transporte.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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