Cidades

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09 de setembro de 2013 • 08h33

Estudante perde visão de olho direito após confrontos em São Paulo

O estudante Vitor Araújo, 19 anos, perde a visão do olho direito durante um confronto no protesto do Dia da Independência em São Paulo no último sábado. Ele passará por uma cirurgia de reconstrução facial no Hospital das Clínias, onde está internado. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Araújo relatou que estava diante da Câmara de Vereadores quando foi atingido no rosto por uma bomba de efeito moral da Polícia Militar. Na ocasião, houve tentativa de invasão ao prédio por parte dos manifestantes, muitos seguidores da tática Black Bloc.

Morador de Taipas, zona norte da capital paulista, o jovem assegura que não pertence ao grupo Black Bloc e contou que estava com o rosto coberto para se proteger do gás jogado pela polícia. O estudante disse que participava do protesto para "melhorar a educação e a saúde" e protestar "contra a violência policial". Ele havia sido detido em uma manifestação anterior, enquanto filmava as ações, segundo o próprio Araújo. O grupo Advogados Ativistas o assessora nos dois casos. Procurada, a PM não se manifestou sobre o caso.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus. A mobilização surtiu efeito e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas – o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. "Essas vozes precisam ser ouvidas", disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

 

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