Enchentes no Amazonas deixam 300 mil alunos sem aulas

7 mai 2009
13h01
atualizado às 14h10

Arnoldo Santos

Direto de Manaus


A enchente dos rios no Amazonas causou, além dos prejuízos materiais, a suspensão de aulas nas redes pública e particular de ensino. A estimativa é de que, em pelo menos 43 municípios em situação mais crítica, cerca de 300 mil estudantes tiveram as aulas suspensas, segundo informou o secretário de Educação do Estado, Gedeão Amorim.

Escola municipal é ameaçada pela cheia de rio na localidade de Careiro da Várzea (AM)
Escola municipal é ameaçada pela cheia de rio na localidade de Careiro da Várzea (AM)
Foto: Arnoldo Santos / Especial para Terra

Os maiores problemas são a dificuldade de transportar os alunos de suas comunidades para as escolas, o que é feito normalmente em barcos alugados pelas prefeituras locais, e a inundação dos prédios. Em municípios como Canutama, no rio Juruá, as duas escolas estaduais foram usadas para abrigar pessoas desalojadas.

No município do Careiro da Várzea, a 20 km de Manaus, três das seis escolas situadas na zona rural pararam suas atividades e deixaram cerca de 1,2 mil alunos sem aula, incluindo ensinos médio e fundamental, além da educação de jovens e adultos (EJA). A Escola Estadual Coronel Fiúza, que tem 800 alunos e fica na sede do município, também deverá suspender as aulas a partir do dia 15 deste mês, como informou o diretor da unidade, Raimundo Holanda.

A água do rio Solimões, que invadiu mais de 80% da cidade, está a menos de 50 m do prédio da escola. "Os alunos têm dificuldade de vir para a aula. Por isso deveremos parar também. Tudo está sendo decidido em conjunto com os pais", explicou o diretor. Em Anamã e Barreirinha, todas as 10 escolas públicas estão alagadas. A Secretaria de Educação do Amazonas também resolveu suspender o programa de ensino à distância, que atende 15 mil alunos. Pelo menos um terço das 524 salas de aula ficou com o funcionamento prejudicado pela cheia.

"Nós temos antenas que recebem a programação das aulas por satélite simplesmente entrando em processo de submersão. As estradas estão alagadas, os alunos começaram a ter problemas de locomoção e teve o aparecimento de animais peçonhentos", explicou Gedeão Amorim. Apesar de algumas informações vindas do interior darem conta de que algumas calhas de rio começaram a sinalizar a parada no processo de enchente, a maior preocupação agora, segundo o secretário de Educação, é com o calendário escolar. "Nós teremos o trabalho de reorganizar todo o calendário porque paralisamos as aulas por muito tempo. E ainda não temos a dimensão exata do problema", finalizou. Há pouco mais de 45 dias, o governo do Estado decretou situação de emergência em todos os 61 municípios do interior, entre os quais 43 deles são considerados os mais críticos.

Foram cadastradas pelas comissões municipais de Defesa Civil pouco mais de 33,9 mil famílias, o que totaliza mais de 184 mil pessoas atingidas pela enchente. Na terça-feira, o governo do Estado começou a distribuir cartões magnéticos denominados SOS Enchente que dão direito a R$ 300 como forma de ajuda a quem foi prejudicado com a cheia. A previsão da coordenação da distribuição dos cartões é de que até a próxima terça-feira, dia 12, cerca de 16,5 mil famílias tenham recebido o benefício.

Fonte: Especial para Terra
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