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Empresa não apresentou laudo de obra em prédio, diz síndico

27 jan 2012
12h04
atualizado às 12h08

O advogado do síndico de um dos prédios que desabou no centro do Rio de Janeiro na noite de quarta-feira, Geraldo Beire, confirmou a realização de obras em dois andares do edifício. Segundo ele, o síndico Paulo Renha havia pedido o laudo das reformas, mas ainda não tinha sido atendido.

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"Quando a empresa TO Tecnologia iniciou a reforma no terceiro andar, o síndico Paulo Renha solicitou verbalmente a apresentação da documentação. Passados alguns dias, ele não foi atendido e foi feita a solicitação por escrito. A empresa, então, apresentou um laudo, que ainda vai ser enviado às autoridades competentes. Esse laudo foi feito pela empresa Estrutural Projetos e Consultoria e assinado pelo engenheiro Paulo Sérgio da Cunha Brasil. No laudo, constava que estava tudo perfeito", disse o advogado.

"No início de janeiro, a empresa TO iniciou a reforma no nono andar. O síndico tomou a mesma providência. A diretoria da TO ficou de apresentar o laudo referente a essa obra, o que não foi feito até o dia do desabamento", acrescentou Geraldo Beire.

Ainda de acordo com o advogado, o síndico do prédio está muito abalado psicologicamente e ainda não teve condições de prestar depoimento.

Os desabamentos
Três prédios desabaram no centro do Rio de Janeiro por volta das 20h30min de 25 de janeiro. Um deles tinha 20 andares e ficava situado na avenida Treze de Maio; outro tinha 10 andares e ficava na rua Manuel de Carvalho; e o terceiro, também na Manuel de Carvalho, era uma construção de quatro andares. Segundo a Defesa Civil do município, sete pessoas morreram no acidente e 20 permanecem desaparecidas. Cinco pessoas ficaram feridas com escoriações leves e foram atendidas nos hospitais da região. Cerca de 80 bombeiros e agentes da Defesa Civil trabalham desde a noite da tragédia na busca de vítimas em meio aos escombros. Estão sendo usados retroescavadeiras e caminhões para retirar os entulhos.

Segundo o engenheiro civil Antônio Eulálio, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), havia obras irregulares no edifício de 20 andares. O especialista afirmou que o prédio teria caído de cima para abaixo e acabou levando os outros dois ao lado. De acordo com ele, todas as possibilidades para a tragédia apontam para problemas estruturais nesse prédio. Ele descartou totalmente que uma explosão por vazamento de gás tenha causado o desabamento.

Com o acidente, a prefeitura do Rio de Janeiro interditou várias ruas da região. O governo do Estado decretou luto. No metrô, as estações Cinelândia, Carioca, Uruguaiana e Presidente Vargas foram interditadas na noite dos desabamentos, mas foram liberadas após inspeção e funcionam normalmente.

Veja a localização do desabamento:

Jornal do Brasil Jornal do Brasil

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