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Em ruas desertas, público da Marcha fuma maconha em Curitiba

22 mai 2011
18h26
atualizado às 19h46
Joyce Carvalho
Direto de Curitiba

Ao contrário do que ocorreu no sábado em São Paulo, a Marcha pela Liberdade de Expressão em Curitiba não registrou confrontos com a polícia. Cerca de 200 pessoas percorreram neste domingo as ruas do Centro - que estava praticamente vazio. Alguns manifestantes até fumaram maconha durante o evento, que se tornou pela liberdade de expressão depois que a Marcha da Maconha, ideia inicial dos organizadores, foi proibida na última quinta-feira pela Justiça paranaense. Os deputados federal Fernando Francischini (PSDB-PR) e estadual Leonaldo Paranhos (PSC) entraram com medida cautelar alegando que o evento faria apologia ao uso da droga.

Manifestantes também "fumaram" um baseado gigante, feito de papel de jornal
Manifestantes também "fumaram" um baseado gigante, feito de papel de jornal
Foto: Joyce Carvalho / Especial para Terra

Na prática, o que aconteceu hoje foi uma Marcha da Maconha. Muitos manifestantes usaram camisetas com estampas que traziam a folha da droga. Cartazes informavam que as pessoas não podem ser reprimidas apenas porque fumam maconha. Durante a passeata, alguns manifestantes carregaram uma faixa com a palavra "censura". Ao final, outros simularam estarem fumando um baseado gigante, feito de papel de jornal. Para completar, os participantes gritavam frases como "Sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor", que ecoavam no calçadão da rua XV de Novembro, normalmente um dos locais mais movimentados de Curitiba, mas que hoje estava praticamente deserto.

Tudo isso aconteceu apesar das orientações das lideranças da marcha de não se fazer nada relacionado à maconha. Também houve pedidos para não confrontar os policiais, caso ocorresse uma aproximação. A Polícia Militar apareceu apenas no final da passeata, na Boca Maldita, tradicional local de manifestações no centro de Curitiba. Duas viaturas foram até a região, mas os policiais apenas observaram a movimentação final do grupo.

Um dos líderes do movimento, Shardie Casagrande, acredita que houve uma "desmobilização" entre os potenciais participantes diante da proibição da Marcha da Maconha e os confrontos de ontem em São Paulo. "Nós só queremos poder de voz, de poder conversar sobre esse assunto. Essa discussão vai ter que acontecer em algum momento, assim como a legalização vai acontecer em algum momento", afirmou.

De acordo com ele, a legalização da maconha forçaria a redução do tráfico de drogas, além dos benefícios na área medicinal. Poderia ainda ser usada no tratamento de dependentes químicos das drogas consideradas mais pesadas, como cocaína e crack. A proposta seria restringir o consumo de maconha para maiores de 21 anos e em determinados locais, seguindo o mesmo princípio da lei antifumo vigente hoje em vários Estados brasileiros. "Nós queremos levar o tabaco e o álcool para esse mesmo patamar", comentou Casagrande.

O comerciante Jonny Ratier levou para a concentração da marcha folhas de seda, encontradas em lojas de conveniência e em outros estabelecimentos, e usadas para enrolar cigarros de tabaco e também de maconha. Ele disse que quis levar o produto para mostrar como a discussão sobre o assunto deve ser ampla. "Legalizando o uso da maconha, muitas famílias não teriam tanto problemas com traficantes. Cada um pode plantar e fazer consumo próprio", contou.

Fonte: Especial para Terra
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