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Em enterro, filho de vítima de explosão pede punição a culpados

14 out 2011
16h15
atualizado às 16h38
Gabriel Macieira
Direto do Rio de Janeiro

Cerca de 50 pessoas compareceram ao enterro do chefe de cozinha do restaurante Filé Carioca, Severino Antonio de Mendonça, 45 anos, no cemitério Murundu, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Mendonça morreu na explosão do estabelecimento que matou mais dois e feriu 17 na quinta-feira. Muito emocionado, o filho da vítima, Anderson de Mendonça, declarou que a Justiça terá que ser feita.

"Meu pai sempre foi um homem guerreiro, honesto, muito trabalhador, sempre tentou ajudar a todos sem querer nada em troca. Pelo que fiquei sabendo, o lugar funcionava com alvará provisório. Para mim, a Justiça tem que ser feita. Nada vai trazer a vida do pai de volta, mas o culpado ou os culpados terão que aparecer e prestar contas", também se referindo ao dono do estabelecimento, Rogério Amaral.

Também segundo o filho, Mendonça nunca havia reclamado de cheiro de gás antes. "Creio que ele não falava nada para não preocupar a família." O enterro durou cerce de uma hora e causou comoção entre os familiares e amigos do chefe de cozinha. Segundo primo da vítima, Edmilson Tavares, a família deve esperar o laudo final sobre as causas da explosão para tomar decisões.

De acordo com o advogado Fabiano Lutz, que trabalha com direito imobiliário, as vítimas podem cobrar da prefeitura da cidade os danos causados, desde que seja comprovado que o estabelecimento não possuía todas as condições necessárias para funcionar corretamente. No entanto, os lesados não conseguirão receber as indenizações do proprietário do restaurante, já que os prejuízos são "difíceis de mensurar.

Prefeitura admite falta de documentos
A Procuradoria Geral do Município (PGM) do Rio de Janeiro reconheceu ao Terra que a documentação do Restaurante Filé Carioca estava incompleta, mas disse que prefere esperar o desdobramento das investigações da explosão para adotar uma posição mais definida. "Na lista de documentos obrigatórios, faltavam os certificados de Inspeção Santiária, de Aceitação das Instalações Comerciais e de Aprovação do Corpo de Bombeiros. O proprietário foi notificado em setembro para apresentar até o fim de outubro todos os documentos que estavam faltando, caso contrário o alvará provisório não seria renovado", informou a PGM.

"Quem tem poder e competência para fiscalizar as condições de segurança é o Corpo de Bombeiros. O que a prefeitura faz é, para emitir o alvará definitivo, além de fiscalizar a atividade econômica e o uso do solo, conferir se o estabelecimento tem uma série de outros documentos - como, por exemplo, Contrato Social, CNPJ, Documento de Arrecadação do ICMS, Certificado de Inspeção Sanitária, Certidão de Aceitação das Instalações Comerciais e Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros", completou a PGM.

A área externa do edifício Riqueza, onde ficava o restaurante, foi analisada na quinta-feira por peritos, que devem aguardar o início do escoramento da laje para começar ver minuciosamente a área interna. Durante a investigação, será apurado até que ponto os proprietários tinham conhecimento da falta de documentação para o restaurante funcionar e se houve negligência por parte de algum funcionário em deixar o gás vazando. O Terra procurou o advogado de Rogério Amaral, mas não obteve retorno.

Veja local onde ocorreu a explosão antes do acidente:

Fonte: Especial para Terra
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