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DF: manifestantes depredam Itamaraty e tentam invadir Congresso

20 jun 2013 - 23h37
(atualizado em 21/6/2013 às 16h08)
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<p>Repórteres se abrigam durante o confronto entre PMs e manifestantes na capital federal</p>
Repórteres se abrigam durante o confronto entre PMs e manifestantes na capital federal
Foto: Gustavo Gantois / Terra

Manifestantes que protestam em Brasília na noite desta quinta-feira quebraram a fachada do Palácio do Itamaraty e tentaram invadir o Congresso Nacional. Um grupo conseguiu entrar na garagem do prédio do Ministério das Relações Exteriores, quebrou vidros jogando paus na janela e atirou um rojão dentro do saguão. Os policiais apagaram o fogo e jogam spray de pimenta contra os manifestantes.

Com a confusão, parte dos manifestantes se dirigiu para o Eixão. Outra parte voltou para o gramado em frente ao Congresso Nacional, onde o confronto recomeçou. Policiais jogaram várias bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão. Manifestantes acenderam fogueiras no gramado, tentaram arrancar mastros das bandeiras dos Estados que ficam em frente ao Congresso e picharam placas com as palavras "ladrões" e "vergonha". A fachada do Ministério da Saúde também foi pintada. Um vitral da Catedral Metropolitana de Brasília ficou trincado após pedradas. A igreja havia ficado fechada por quatro anos para a troca dos vitrais.

Por volta das 23h, quase não havia mais manifestantes no gramado do Congresso. A polícia cercou os manifestantes e os forçou a deixar o local. A cavalaria foi acionada para ajudar na dispersão

Mais cedo, cerca de 5 mil pessoas tentaram invadir o prédio do Banco Central. Os helicópteros controlaram a situação até a chegada da PM.

Os funcionários do Ministério de Relações Exteriores já haviam encerrado o expediente no momento da tentativa de invasão ao Palácio Itamaraty. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, estavam apenas funcionários da segurança. A situação foi controlada depois que cerca de 30 fuzileiros navais assumiram a proteção do prédio.

Balanço final apontou 25 vidros quebrados na confusão. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, retornou ao Palácio Itamaraty na noite desta quinta-feira para redigir uma declaração condenando os atos de vandalismo no edifício sede da diplomacia brasileira.

O protesto, que começou pacífico, foi manchado por um pequeno grupo que passou a provocar os policiais que formam um cordão de isolamento para impedir a invasão do Congresso. Eles lançaram rojões e um pedaço de pau em direção aos policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo, sprays de pimenta e balas de borracha. Uma pessoa foi presa.

Esse grupo isolado também acendeu fogueiras usando cones de sinalização da polícia.

Segundo balanço do Samu divulgado as 22h, 31 pessoas foram atendidas - 11 precisaram ser encaminhadas para hospitais. Três estão em estado grave: uma com trauma na face, uma com possível traumatismo craniano, com uma bala de borracha alojada no crânio e outra com corte na perna, com possível ruptura de artéria.

Os outros 20 atendidos foram por inalação de gás e spray. Dois postos de atendimento do Samu foram montados no local, com 70 profissionais, entre médicos e enfermeiros.

A PM informou, ainda, que nos confrontos em frente ao Congresso um policial e uma repórter da RedeTV foram feridos.

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Políticos tentam negociar

Enquanto os protestos aconteciam fora do Congresso, dentro do plenário do Senado seis parlamentares debatiam o movimento: Magno Malta (PR-ES), Cristovam Buarque (PDT-DF), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Paulo Paim (PT-RS), Pedro Simon (PMDB-RS) e Pedro Taques (PDT-MT).

Após se reunir com representantes dos manifestantes que ocupavam o gramado em frente ao Congresso Nacional, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-DF), afirmou que o parlamento continuará aberto para as demandas da população. Segundo ele, as manifestações servirão para abrir o debate sobre o que quer a sociedade.

"O importante é deixar claro que o parlamento continua aberto ao povo e terá humildade e compreensão de que a política tem que se reinventar sempre. A maior demonstração que o parlamento pode dar como casa do povo é estabelecer uma nova agenda política em função das manifestações", afirmou ele, que foi embora da Casa logo após reunião com manifestantes.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), antecipou sua volta da Rússia e foi para o Congresso na noite desta quinta. Ele deu breve declaração à imprensa e se recusou a responder perguntas dos jornalistas. "Esta Casa tem o dever de registrar os fatos, interpretar e fazer a leitura correta. É o que faremos nos próximos dias", disse.

A presidente Dilma Rousseff não vai se pronunciar nesta noite sobre à onda de manifestações em várias cidades do Brasil. Ela deixou o Palácio do Planalto por volta das 20h30 e amanhã seu primeiro compromisso oficial será uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Não há informação sobre a pauta da reunião.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País

Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.