O edifício Liberdade é vizinho aos três que desabaram há um mês
Foto: AP
O edifício Capital, vizinho aos três prédios que desabaram na avenida Treze de Maio, no centro do Rio de Janeiro, há mais de um mês, foi parcialmente liberado na quinta-feira, segundo informações da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil.
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As salas e escritórios só podem funcionar, por enquanto, entre as 7h e as 17h, e, algumas salas de quatro andares do prédio ainda estão interditadas em função de avarias que estão sendo reparadas por uma empresa contratada pelo condomínio. O prédio, que era geminado ao edifício Liberdade, o primeiro a desabar, está em obras que estão sendo monitoradas pela Defesa Civil Municipal e devem ser concluídas em 15 dias. Segundo a assessoria do órgão, ao final de prazo, será feita uma nova vistoria para avaliar a possibilidade de liberação total das atividades no edifício.
A Associação das Vítimas da Avenida Treze de Maio, que representa os proprietários de salas, consultórios e escritórios que funcionavam nos três prédios que desabaram, protocolou, na quinta-feira, um pedido formal de audiência com o prefeito da cidade, Eduardo Paes (PMDB). Segundo a advogada Simone Argolo, uma das representantes do grupo, os proprietários das quase 70 empresas que funcionavam nos edifícios estão vivendo uma situação "desesperadora" e querem oficializar o pedido de ajuda a prefeitura para se reestruturarem.
"A maioria não conseguiu sala para alugar. Outros não têm condições de alugar salas. Os proprietários de salas não conseguem fechar as empresas, não conseguem demitir funcionários, por causa da burocracia. Não conseguimos recuperar nada de documentos", lamentou.
Simone Argolo disse que a Companhia de Limpeza Urbana da cidade (Comlurb) havia prometido que, uma semana depois do acidente, uma empresa seria contratada para fazer a triagem dos bens que estavam nas salas dos três edifícios. Mas, segundo ela, até hoje, nenhum trabalho foi iniciado. "Tivemos uma informação, não oficial ainda, de que a triagem começa na semana que vem. Mas ninguém nos confirmou nada", disse a advogada.
Em nota, a Secretaria Municipal de Conservação, responsável pela Comlurb, disse que os escombros dos prédios estão em um local reservado e separado. "A área está coberta e só será liberada mediante a contratação de uma empresa terceirizada para identificar e catalogar todos os bens que forem encontrados." O órgão não define a data de contratação e início das atividades, informando que "esse processo está em andamento".
No encontro com o prefeito, os representantes da Associação de Vítimas vão pedir a cessão temporária de salas que estão vazias no centro da cidade. De acordo com Simone Argolo, alguns prédios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) podem servir de sede provisória até que essas empresas se recuperem e se reestruturem. "Queremos avaliar se (a prefeitura) pode emprestar algum dinheiro para ajudar essas pessoas, como foi feito quando barracões de escolas de samba que pegaram fogo (em fevereiro de 2011)."
Os desabamentos
Três prédios desabaram no centro do Rio de Janeiro por volta das 20h30min de 25 de janeiro. Um deles tinha 20 andares e ficava situado na avenida Treze de Maio; outro tinha 10 andares e ficava na rua Manuel de Carvalho; e o terceiro, também na Manuel de Carvalho, era uma construção de quatro andares. Segundo a Defesa Civil do município, pelo menos 17 pessoas morreram. Cinco pessoas ficaram feridas com escoriações leves e foram atendidas nos hospitais da região. Cerca de 80 bombeiros e agentes da Defesa Civil trabalham desde a noite da tragédia na busca de vítimas em meio aos escombros. Estão sendo usados retroescavadeiras e caminhões para retirar os entulhos.
Segundo o engenheiro civil Antônio Eulálio, do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), havia obras irregulares no edifício de 20 andares. O especialista afirmou que o prédio teria caído de cima para abaixo e acabou levando os outros dois ao lado. De acordo com ele, todas as possibilidades para a tragédia apontam para problemas estruturais nesse prédio. Ele descartou totalmente que uma explosão por vazamento de gás tenha causado o desabamento.
- Agência Brasil


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