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Criadores tentam salvar animais em fazendas inundadas no AM

14 mai 2009
08h42
atualizado às 10h34

Arnoldo Santos

Direto de Manaus


Criadores de gado dos municípios de Iranduba, Careiro da Várzea e Careiro Castanho, no Amazonas, tentam salvar os rebanhos que estão em terras alagadas pela cheia do rio Solimões. Os produtores que não conseguiram retirar o rebanho das terras usaram estruturas suspensas, chamadas de maromba, para que os animais não morram afogados ou por doenças causadas pela água da enchente.

Estrutura de madeira foi construída para guardar o gado em Careiro da Várzea (AM)
Estrutura de madeira foi construída para guardar o gado em Careiro da Várzea (AM)
Foto: Arnoldo Santos / Especial para Terra

"O maior problema deste tipo de estrutura é a desnutrição, porque os alimentos ficam escassos e deixa o gado mais propenso a doenças", afirmou o médico-veterinário Tarcísio Fabiano, do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Amazonas (Idam).

O criador Raimundo Guedes construiu uma maromba para abrigar 38 cabeças de gado que não conseguiu levar para campo seco. "Eu não tenho condições de pagar aluguel de pasto. E quem aluga só quer saber do dinheiro no final do mês, não se importa se a gente perde (gado) ou não", disse o criador.

No município do Careiro da Várzea, no rio Solimões, a fábrica de laticínios que é mantida pela Cooperativa de Produtores do Careiro foi fechada por falta de produção. "Os fornecedores foram embora, tiveram de levar o gado para terra firme. Nós desativamos equipamentos, dispensamos funcionários e tivemos que parar", diz João Bosco Guedes, presidente da cooperativa, que disse ainda que, na época de produção, a fábrica chega a produzir 6 t de queijo por mês.

Na região do Paraná do Cambixe, os agricultores tentam salvar a renda familiar com viveiros suspensos. "O que plantamos no chão, a gente já perdeu. Só nos resta esta produção aqui das hortas suspensas. E falta um palmo e meio para a água subir. Se a água chegar, perdemos tudo", disse o agricultor Nonato Duarte. A família ainda cria cerca de 500 unidades do peixe tambaqui. Mas a água atingiu os reservatórios e o jeito foi proteger os criatórios com cerca de madeira, arame farpado e uma tela de plástico.

Tudo está quase totalmente submerso e o rio já está com cerca de 1 m de profundidade na área. "Eu venho aqui todas as noites atrás de jacaré. Eles já tentaram entrar e arrancaram as telas. Por isso, tive de colocar arame farpado e a cerca", explica Nonato.

Dívidas
A secretaria de Produção Rural do Estado (Sepror) informou que abriu negociação com o Banco do Brasil e o Banco da Amazônia para renegociação das dívidas rurais. Na próxima semana, um levantamento dos prejuízos será levado para a Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília.

A assessoria de comunicação da Sepror informou também que, além da negociação das dívidas, o órgão organiza o aluguel de balsas para o resgate de cabeças de gado que estão em áreas alagadas, em particular nos municípios de Borba (rio Madeira) e Manacapuru (rio Solimões). Além disso, elabora um organograma para "financiamento e entrega de sementes para o período pós-cheia".

Atingidos chegam a 305 mil
O Estado do Amazonas tinha, até a noite de quarta-feira, 305.047 pessoas atingidas pela enchente dos rios. Os dados atualizados foram divulgados pela Secretaria de Governo. O governo do Estado registrou 61 municípios em situação de emergência, mas 48 deles são tidos como os mais atingidos e estão na lista de prioridade nas ações de emergência.

O número de desabrigados é de 8.649. Os desalojados chegam a 43.205, segundo levantamento das prefeituras municipais e da Defesa Civil do Estado. Em Manaus, o rio Negro atingiu a marca de 29,02m, 67 cm a menos do que a cota da maior cheia já registrada no Amazonas, em 1953.

Fonte: Especial para Terra
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