Cidades

publicidade
17 de dezembro de 2013 • 11h45 • atualizado às 11h46

Bombeiros tiram índio à força de árvore no Rio de Janeiro

O índio José Urutau permaneceu mais de 24 horas em uma árvore na Aldeia Maracanã
Foto: Daniel Ramalho / Terra
  • Marcus Vinicius Pinto
    Direto do Rio de Janeiro
  • Paula Bianchi
    Direto do Rio de Janeiro
 

Homens do Corpo de Bombeiros tiraram o índio Urutau José Guajajara de cima da árvore em que ele protestava há mais de 24 horas na Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro. Por volta das 11h30, um soldado saltou da escada magirus sobre o índio, que foi rapidamente dominado.

Sem muita resistência, ele deixou o local acompanhado pelos bombeiros, sob forte vaia, em protesto contra a ação militar. Cerca de 50 manifestantes acompanhavam o protesto do índio no local. José Guajajara foi levado de ambulância e passará por exames médicos, segundo o Corpo de Bombeiros.

O índio subiu na árvore nesta segunda-feira por volta das 9h30, em protesto à desocupação do prédio do antigo Museu do Índio, nas imediações do Estádio do Maracanã, zona norte do Rio.

Com pintura indígena, Guajajara permaneceu sentado na árvore, a cerca de quatro metros de altura. Sem comer desde o começo da manhã de ontem, ele fez a primeira refeição hoje por volta das 8h30 desta terça, quando os manifestantes conseguiram lançar um saco de biscoitos de água e sal e um copo de água nos galhos mais altos da árvore.

Outros sacos de comida lançados pelos manifestantes foram retirados do alcance do índio pelos bombeiros.

Segundo os manifestantes, o local foi reocupado em agosto e, desde então, tem funcionado como uma espécie de universidade indígena, onde são ministradas aulas de tupi, artesanato e cultura indígena.

O governo do Estado alegou que a desocupação de ontem tinha como objetivo cumprir uma ordem da Justiça Federal, de março deste ano. Já os indígenas mostraram um despacho da 7ª Vara Federal, de setembro, em que o juiz Bruno Nery diz que o Estado desistiu da demolição do prédio do museu e o devolveu à comunidade indígena.

Bombeiros subiram no telhado do Museu do Índio para acompanhar o protesto de Guajajara
Foto: Ale Silva / Futura Press

Por sua vez, a assessoria da Justiça Federal esclareceu que, em 14 de março, determinou a imissão de posse do prédio do antigo Museu do Índio, e que o mandado foi cumprido no dia 22 daquele mês. Ainda segundo a Justiça, não foi expedido nenhum outro mandado para reintegração da posse do imóvel.

O advogado da Aldeia Maracanã, Arão da Providência, entrou na 7ª Vara Federal do Rio com uma ação civil pública pedindo a reintegração de posse "já que existe uma decisão anterior da Justiça, de que a posse do terreno é dos indígenas". Segundo ele, a juíza Aline Alves de Melo Miranda Araújo garantiu que dará uma decisão nesta terça-feira.

O governo do Estado afirma que o prédio do antigo Museu do Índio não será derrubado e será transformado num Centro de Referência das Culturas Indígenas.

Com informações da Agência Brasil

Terra Terra