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Bicicletas nas ruas de SP aumentam mais de 300% desde 1997

30 jul 2011
13h59

Daniel Favero

O tráfego pesado nas ruas da capital da capital paulista, o estresse e o custo do transporte são alguns dos motivos que estão fazendo com que os paulistanos deixem os carros na garagem para usar a bicicleta como meio de transporte. De acordo com estimativas da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), entre 1997 e 2007 a média diária de viagens de bicicletas aumentou 88% (de 162 mil para 305 mil). Em 2010 esse número subiu para 350 mil e chega a 500 mil nos finais de semana, por conta do lazer.

O desafio de andar de bicicleta nas grandes cidades

No entanto, a pesquisa O Uso de Bicicletas na Região Metropolitana de SP, feita pelo Metrô, no ano passado, aponta que apenas 4% das pessoas usam a bicicleta para o lazer. Os outros 96% são para deslocamentos de casa ao trabalho, hospitais, compras, escolas e etc. Para o diretor geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, isso desmistifica o mito de que as pessoas usam a bicicleta exclusivamente para o lazer. "Ou seja, os números são o oposto do que a gente tende a acreditar".

O levantamento mais completo sobre mobilidade urbana é a pesquisa Origem Destino também realizada pelo Metrô a cada 10 anos. Benicchio afirma que a versão mais recente, de 2007, apontou 214 mil deslocamentos em bicicletas na capital, mas diz que os números não correspondem a realidade. Para ele, o número de bicicletas em circulação nas ruas da capital paulista é de 500 mil, sem contar finais de semana.

Um terceiro levantamento, a Pesquisa dia Mundial Sem Carro, realizada pelo Ibope Inteligência a pedido da Rede Nossa São Paulo, em agosto de 2010, aponta que 227 mil pessoas se locomovem em bicicletas, 3% do total. Esse número é quase três vezes maior que as 80 mil viagens feitas em táxi, segundo a pesquisa do Metrô de 2007.

Benicchio discorda da metodologia usada pelo Metrô na pesquisa Origem Destino. "A pesquisa tem uma hierarquia de meio de transporte. Então, se a pessoa pegou a bicicleta e um ônibus, o ônibus possui uma hierarquia superior à da bicicleta, que é descartada (...) Na periferia, os jovens usam a bicicleta na região em que vivem e isso não é contabilizado, assim como as pessoas usam o carro para trabalhar e a bicicleta para outros trajetos". Segundo ele, o levantamento do Metrô não registrou nenhuma circulação de bicicleta em alguns bairros da capital, algo que ele considera muito improvável.

Motivos
Para Carlos Aranha, integrante do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo, o aumento das bicicletas nas ruas é uma tendência há alguns anos, mas descarta que os motivos sejam a queda nos preços ou o aumento de ciclovias. "Eu descartaria de cara que seja por causa de preço de bicicletas mais baratas, mas sim de interesse das pessoas (...) o que as pessoas têm feito é desistir do automóvel pelo estresse, pelo dinheiro, pelo engarrafamento, por não saber que horas vai chegar em casa, e estão optando pela bicicleta como meio de transporte, principalmente para o trajeto casa-trabalho".

Aranha diz que iniciativas como as ciclo-rotas, que sinalizam os motoristas sobre a presença de ciclistas, e a diminuição do limite de velocidade em algumas vias são alternativas que incentivam o uso da bicicleta como meio de transporte.

"É uma forma eficiente de sinalização, muito comum nos EUA e na Europa, que lembram o motorista que aqui passa bicicleta (...) É uma iniciativa que acabou de ser inaugurada na Granja Julieta, no Brooklin, mas precisamos disso na cidade inteira porque é uma forma de conscientizar o motorista", afirma.

No entanto, todos os especialistas consultados pela reportagem do Terra ressaltam que os novos ciclistas devem buscar ajuda de grupos como o Bike Anjo, composto por voluntários experientes que dão dicas de como circular com segurança pelas ruas, ou em sites como Escola de Bicicleta, que ensinam como usar a bicicleta de forma mais efetiva no trânsito.

Mortalidade no trânsito paulista
De acordo com um levantamento da Rede Nossa São Paulo, compilado pelo instituto Kairós, a taxa de mortalidade de ciclistas na capital paulista é de 0,41 por 100 mil habitantes, segundo dados de 2009. As regiões mais problemáticas estão localizadas em diversos distritos espalhados pelas zonas norte, sul e sudeste da cidade.

Na Vila Maria e Vila Guilherme a taxa de mortalidade é de 1,40 morte para cada 100 mil habitantes, seguido por Palheiros, com 1,32, e Casa Verde e Cachoeirinha, com 0,96. Em 2009, 45 ciclistas (3%) morreram no trânsito, índice que se manteve desde 2007. Os números representam uma queda em relação a 2006, quando morreram 83 pessoas.

Fonte: Terra
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