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Bauru: vereadores são impedidos de sair da Câmara em protesto

Manifestantes exigem que os vereadores instaurem uma Comissão Especial de Inquérito para investigar o aumento no preço das passagens

17 jun 2013
22h46
atualizado às 22h54
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Mais de 1,2 mil pessoas, segundo os organizadores, se solidarizaram com os protestos realizados na capitais e realizaram ato semelhante em Bauru, no interior de São Paulo. A concentração aconteceu na Praça Rui Barbosa, no Centro. Inicialmente apenas uma reunião seria realizada para definir a data do protesto, mas de lá os manifestantes deram início ao ato e seguiram pela Avenida Rodrigues Alves, um dos principais corredores de ônibus coletivos da cidade, até a frente da Câmara Municipal. Muitos carregavam cartazes, usavam máscaras e apitos. O trânsito na via ficou bloqueado por quase uma hora.  

<p>Mais de 1,2 mil manifestantes protestam em frente à Câmara de Vereadores de Bauru, no interior de São Paulo</p>
Mais de 1,2 mil manifestantes protestam em frente à Câmara de Vereadores de Bauru, no interior de São Paulo
Foto: João Rosan / Jornal da Cidade

Na Câmara os vereadores encerravam a sessão semanal quando foram impedidos pelos manifestantes de saírem do local. A entrada principal do prédio bem como as duas saídas dos fundos, que dão acesso às garagens foram cercadas. Dezenas de policiais militares acompanham as ações. 

<p>Em Bauru, manifestante impediram que vereadores deixassem a Câmara durante o protesto</p>
Em Bauru, manifestante impediram que vereadores deixassem a Câmara durante o protesto
Foto: Talita Zaparolli / Especial para Terra

Os manifestantes exigem que os vereadores instaurem uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o aumento nos valores das passagens em Bauru. Dos 17 vereadores, apenas dois se mostraram favoráveis à abertura da investigação: Roque Ferreira (PT) e Raul de Paula (PV). Eles ameaçam não sair da Câmara até que os vereadores concordem em investigar os reajustes do transporte coletivo em Bauru. Pelas grades do portão da garagem dois vereadores tentaram negociar com os manifestantes, mas não surtiu efeito.  

"Existe uma tabela e as empresas concessionárias do transporte em Bauru se baseiam nela para aumentar as tarifas. Desde pneus, gasolina, óleo. Mas essa tabela está desatualizada. Se ela for analisada a fundo pelos vereadores, o preço da tabela seria muito abaixo do que é hoje", afirmou o organizador da manifestação Igor Fernandes. 

Segundo ele, a tabela que serve como base para os reajustes data da década de 1970 e geraria mais lucros às empresas concessionárias do serviço. A frente de defesa contra o aumento da tarifa coletou assinaturas durante o mês de maio solicitando ao prefeito a revogação do decreto que aumentou os preços das passagens do transporte coletivo no município. 

No dia 5 de maio as tarifas do transporte coletivo em Bauru sofreram reajuste de 13% passando de R$ 2,40 (para tarifas pagas em dinheiro) para R$ 2,90, sendo uma das mais caras do estado de São Paulo.

Uma semana depois o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) anunciou uma redução que levava em conta uma medida provisória que reduziu as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da contribuição da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros. O valor da tarifa caiu para R$ 2,80, para pagamento em dinheiro. 

“Aqui a gente consegue ser efetivo com a tarifa, mas não é só a tarifa. Indiferente do preço da tarifa é a falta de qualidade. Também enfrentamos problemas com saúde, educação. Estamos mostrando nas ruas nossa insatisfação”, disse. 

Adesão
O movimento ganhou força e o número de participantes quase dobrou enquanto o grupo seguiu da Praça para a Câmara.  "Conseguimos tirar muita gente do ônibus pra vir participar. Eu protesto pelo fim da violência que está acontecendo em São Paulo e pela redução da tarifa dos ônibus que são superlotados e que a gente tem que esperar horas e horas no ponto", disse a estudante Marília Dutra, 19 anos. 

A mãe de Marília, a professora universitária Nilma da Silva também participou do ato. "É o fim da picada o que está acontecendo no Rio e SP e você parar e manifestar num país que se diz democrático", critica. 

Depois de ter trabalhado o dia todo, a operadora de caixa Jéssica Cristina  Soares de Oliveira, 21 anos, fez questão de participar. "Os políticos deixam por último a saúde. Estamos protestando contra tudo o que eles estão fazendo com o nosso país." 

"A gente está muito acostumado a não fazer nada. O pessoal pensa muito em São Paulo, mas aqui também podemos fazer algo para mudar. Saímos do Facebook e viemos às ruas dar a cara, chamar a atenção", disse o estudante Felipe Marchioli, 21 anos.  O aposentado Domingos Pereira de Lima, 78 anos, também apoiou o protesto. "É uma manifestação oportuna, legítima. Os políticos estão muito acomodados", disse. 

"Tenho que cuidar do futuro do meu país. Não é por causa dos R$ 0,20 é contra a má administração, corrupção", afirmou a estudante Andreza Garcia, 17 anos.

Fonte: Especial para Terra
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